Telescópio da Nasa deve cair na Terra nas próximas semanas
Com missão encerrada após quase 22 anos no espaço, observatório espacial fará reentrada descontrolada na atmosfera

O telescópio espacial Neil Gehrels Swift, da Nasa, encerrou oficialmente suas atividades científicas e fará uma reentrada descontrolada na atmosfera da Terra ao longo do mês de novembro. Após quase 22 anos de operação contínua, o observatório perdeu altitude crítica e não tem mais capacidade de manter órbita estável.
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Segundo a agência espacial norte-americana, a maior parte da estrutura de 1,4 tonelada deve ser destruída pelo atrito com as camadas de ar durante a queda. Apenas fragmentos metálicos mais resistentes têm chance de atingir a superfície, e a probabilidade de impacto em áreas habitadas é considerada mínima.
Entenda o caso
Lançado em novembro de 2004 para uma missão inicial projetada para durar apenas dois anos, o telescópio Swift superou em mais de duas décadas sua vida útil prevista. O equipamento foi fundamental para o avanço da astrofísica mundial, tornando-se referência na detecção e análise de explosões de raios gama — os eventos mais energéticos conhecidos no universo.
Ao longo de sua trajetória, o satélite registrou mais de 2 mil explosões cósmicas e serviu de base para mais de 7 mil estudos acadêmicos publicados por pesquisadores em todo o planeta. Uma de suas contribuições mais marcantes ocorreu logo em 2005, quando conseguiu flagrar pela primeira vez a luz remanescente de uma explosão curta, confirmando a colisão de estrelas de nêutrons.
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Tentativa de resgate frustrada
Diferente de espaçonaves mais modernas, o satélite não foi equipado com propulsores próprios para corrigir sua rota ou realizar uma queima controlada em direção ao oceano. Com o passar dos anos, o arrasto gradual provocado pela atmosfera reduziu sua altitude até cerca de 275 quilômetros.
Na tentativa de estender as operações, a Nasa chegou a contratar a empresa privada Katalyst Space Technologies para realizar uma operação inédita de acoplagem e reposicionamento orbital com um veículo robótico. A missão de socorro, no entanto, enfrentou falhas técnicas na fase de aproximação, e o plano de elevação orbital precisou ser cancelado.
Sem chances de recuperação, os cientistas desligaram os instrumentos astronômicos do Swift no dia 20 de outubro de 2026.
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onde e quando o satélite vai cair
A órbita do equipamento delimita que a reentrada ocorra em uma faixa compreendida entre a região central do México e a América do Sul. Como a maior parte do trajeto cobre oceanos e regiões ermas, o perigo para áreas povoadas é considerado extremamente baixo pelos especialistas.
A data e o horário exatos ainda não foram cravados. A velocidade de queda sofre variações contínuas de acordo com a densidade da termosfera terrestre, que oscila com a atividade solar. O Comando Espacial dos Estados Unidos e a Nasa mantêm monitoramento em tempo real da trajetória e devem afunilar a previsão para um intervalo de poucas horas à medida que o satélite se aproximar das camadas mais densas.
