Togo diz que correção de mapa-múndi também é ajuste de percepção; entenda
Robert Dussey afirmou que a África não pediu por nenhum privilégio ao defender a mudança e que respeita o voto contrário

O ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, disse em entrevista após a votação na Assembleia Geral da Nações Unidas (ONU) que aprovou a resolução que adota um modelo de mapa-múndi com proporções corrigidas do continente africano, que ajustar o mapa também ajusta a percepção da sociedade.
Continua depois da publicidade
"Corrigir o mapa também significa corrigir uma percepção, restaurar continentes na mente das pessoas com a verdade de suas dimensões. A resolução vai além da cartografia e mostra como o mundo é representado e narrado".
Dussey afirmou que o continente africano não pediu por "nenhum privilégio" ao defender a aprovação da resolução. "A África pede para que a realidade seja mostrada com acurácia", disse.
Ele ainda disse respeitar o voto contrário dos Estados Unidos, o único país a votar contra a resolução, e ressaltou que o ajuste nas proporções do mapa-múndi "não é contra nenhuma civilição, país ou sociedade. É uma correção para promover mais inclusão, equidade e justiça".

ONU aprova resolução que adota novo mapa-múndi com África em tamanho real
Crédito: Reprodução/equal-earth-com
Entenda a importância da mudança
O texto afirma que a projeção de Mercator, concebida no século 16 para fins de navegação, continua sendo amplamente utilizada em materiais educacionais, midiáticos, digitais e oficiais.
Continua depois da publicidade
Esse modelo, no entanto, contém uma distorção que faz com que as massas de terra ao Norte e ao Sul da linha do Equador sejam ampliadas e torna a África, a América Latina e o Sul da Ásia proporcionalmente menores.
O texto, aprovado na Assembleia Geral, argumenta que continuar com o mapa na projeção de Mercator, que usa a Europa como centro “perpetua uma visão desequilibrada do mundo”. O novo modelo corrige as proporções dos continentes e arredonda os polos.
Veja a comparação

Mapa-múndi aprovado na ONU corrige diferenças de proporção
Crédito: Reprodução/Gemini Google
