Carlos Batista
Carlos Batista

O problema do VAR no Brasil são as decisões com critérios diferentes

O ambiente que cerca o futebol brasileiro é marcado por um elevado grau de desconfiança em relação ao trabalho do VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) desde sua

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04/11/2026 14:44 • Atualizado há 1 hora

O problema do VAR no Brasil são as decisões com critérios diferentes

O problema do VAR no Brasil são as decisões com critérios diferentes

Divulgação

O ambiente que cerca o futebol brasileiro é marcado por um elevado grau de desconfiança em relação ao trabalho do VAR (Árbitro Assistente de Vídeo) desde sua implantação no país, em 2019. Dirigentes utilizam eventuais erros da arbitragem de vídeo para justificar resultados negativos, a imprensa debate exaustivamente cada frame e a torcida tende a enxergar teorias da conspiração em praticamente toda decisão desfavorável ao seu time.

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A ferramenta tecnológica, criada para corrigir erros claros e evitar injustiças, é amplamente contestada no Brasil. Diferentemente do que ocorre em algumas das principais ligas europeias, onde a intervenção do VAR costuma ser mais restrita, no futebol brasileiro a atuação da cabine frequentemente assume um caráter excessivamente intervencionista. A equipe de vídeo interfere em lances interpretativos que geram divergências, chamando o árbitro de campo para revisar jogadas que nem sempre configuram erros claros e evidentes. Com isso, a autoridade do juiz em campo é enfraquecida e o protagonismo da partida acaba sendo transferido para a cabine de vídeo.

Um dos principais motivos de revolta é a falta de consistência nas interpretações. Um lance semelhante, como uma bola na mão ou um choque dentro da área, pode ser considerado pênalti em uma partida e não receber a mesma interpretação em outro jogo. Essa falta de uniformidade nos critérios adotados pela arbitragem brasileira, sob orientação da CBF, alimenta a sensação de que as regras mudam a cada rodada.

O tempo gasto na revisão dos lances também é frequentemente motivo de críticas. Paralisações que ultrapassam quatro ou cinco minutos não são raras. Isso quebra o ritmo do espetáculo, esfria as equipes em campo e irrita o público presente no estádio. Enquanto o protocolo internacional estabelece como princípio a máxima eficiência com a mínima interferência, o modelo brasileiro, em determinadas situações, acaba se transformando em uma espécie de investigação pericial. São minutos de análise para definir, por exemplo, um impedimento por poucos centímetros, uma ponta de chuteira ou um detalhe quase imperceptível.

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O que fazer?

Buscar referências em quem já desenvolveu processos mais eficientes. Estabelecer convênios para o treinamento e a capacitação de profissionais brasileiros junto às principais ligas europeias seria um caminho. Trocar experiências, aperfeiçoar protocolos e estabelecer critérios mais uniformes de interpretação.

Parece simples demais, mas talvez seja justamente o que falta: menos interferência desnecessária, mais clareza nos critérios e, acima de tudo, decisões coerentes para lances semelhantes.

A tecnologia não precisa ser reinventada. O que precisa melhorar é a maneira como ela é utilizada.

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