A vergonha da eleição marcada por promessas vazias
Veja no comentário de Eduardo Oinegue

Eduardo Oinegue
Band
Você sabia que todas as nossas eleições presidenciais foram disputadas com a economia sob pressão? Em 1989, o Brasil estava quebrado. Era moratória e inflação de quase 2.000% ao ano. Em 1994, o país estreava moeda nova para tentar sair da hiperinflação.
Continua depois da publicidade
Em 1998, os juros passaram de 40% e o PIB cresceu 0,3%. Em 2002, o dólar saltou de R$ 2,30 para R$ 4 e a inflação fechou em 12,5%./ Em 2006, o ano mais tranquilo, a Selic passava de 14%. Em 2010, o PIB cresceu bem, mas os juros estavam acima de 10%. Em 2014, o crescimento despencou para 0,5%, com as contas maquiadas. Em 2018, o país vinha de 3 anos de recessão e estagnação. Em 2022, a inflação tinha passado de 10% no ano anterior e a Selic estava em 13,75%.
Agora, a dívida bruta chegou a 82,5% do PIB e os juros reais estão na casa dos 9%. Em todas essas eleições, a distância entre os problemas reais e as propostas dos candidatos foi enorme. Só que agora batemos no fundo do poço, com a maior coleção de promessas vazias em 37 anos de ida às urnas. Os candidatos falaram de tudo. Propostas concretas, quase nenhuma.
Na segurança, Lula e Flávio Bolsonaro prometem mais presença federal contra o crime organizado. Mas não explicaram como vão coordenar isso com as 54 polícias militares e civis que existem no país. Infraestrutura mal apareceu. E estamos abandonados nessa área. Quer um exemplo? A Ferrogrão, ferrovia de 900 quilômetros entre o Centro-Oeste e um porto no Pará, que deve tirar milhares de caminhões da estrada e baratear o frete da safra. Ficou parada no Supremo por 5 anos e agora está travada no TCU.
Continua depois da publicidade
Nos últimos 5 anos, a China construiu 12,5 mil quilômetros de trem de alta velocidade. Não vencemos sequer o desafio de gastar com equilíbrio. Brincamos com as contas públicas, com o governo gastando mais do que pode financiar e jogando a conta para a sociedade de forma descarada: juros altos, crédito caro e investimento travado.
O mais grave é que equilíbrio fiscal, juros menores e mais investimento não é exatamente um programa de governo. É apenas o ponto de partida. O desenvolvimento começa depois, com educação, produtividade, infraestrutura e segurança tratadas a sério. Se não chegamos nem ao ponto de partida, imagine disputar a corrida.
A campanha poderia ter sido o momento de analisar as medidas indispensáveis e escolher, entre elas, as politicamente viáveis. Mas nos perdemos na conveniência eleitoral. E agora que a campanha acabou, vamos eleger Lula ou Flávio na base da cara ou coroa. Dando cara, o próximo presidente toma posse sem compromisso com o progresso. Dando coroa, também.
Continua depois da publicidade
