Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
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Eduardo Oinegue

Acha que o Lula discursa na ONU de novo ano que vem?

Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

3 min

22/09/2026 23:03 • Atualizado há 32 dias

O primeiro presidente brasileiro a discursar na Assembleia Geral da ONU foi João Figueiredo, lá em 1982. Além dele, outros sete presidentes passaram por lá. Foram 29 discursos presidenciais ao todo, contando o de hoje. Ninguém falou mais do que Lula, que fez hoje sua décima aparição. A segunda na condição de presidente e candidato à reeleição. A primeira foi em 2006. Exatos vinte anos atrás. E há uma diferença curiosa entre os dois discursos.

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Em 2006 não havia Instagram nem TikTok. O discurso virava notícia e material para o horário gratuito no rádio e na televisão. E a campanha de Lula daquele ano explorou as palavras do presidente na propaganda eleitoral usando o trecho em que ele falava do Bolsa Família na ONU. Só que a edição foi além da realidade.

Depois da fala de Lula, mostrou a Assembleia aplaudindo Lula de pé. Aqueles aplausos não eram para Lula. Eram para o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Anos depois, o próprio marqueteiro do presidente reconheceu a montagem e disse que foi um erro de edição.

Hoje, vinte anos depois, o mundo da comunicação é outro. Cada discurso também vira dezenas de cortes pras redes sociais. Pode ser coincidência. Mas nunca Lula falou de tantos assuntos diferentes na ONU como hoje. Foram pelo menos duas dúzias. E muitos têm muito mais a ver com a discussão brasileira do que com a agenda internacional. Lula falou de Pix, bets, fim da escala 6 por 1, feminicídio, salário, emprego, vacinação, crime organizado, lavagem de dinheiro, proteção de crianças nas redes, big techs e inteligência artificial.

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Além de Gaza, Ucrânia, Venezuela, Cuba, Haiti, clima, Amazônia e reforma da ONU. É uma quantidade impressionante de cortes possíveis. Em 2006 também faltavam doze dias para a eleição. Lula também era candidato. Disputava contra o tucano Geraldo Alckmin. Lula tinha entre 47% e 49% das intenções de voto, conforme o instituto. Alckmin aparecia com 31% a 33%. Heloísa Helena tinha 7% ou 8%. O cheiro de vitória no primeiro turno estava no ar. Não aconteceu, mas se falava disso.

Naquele ano, Lula não falou da eleição na ONU. Fez uma prestação de contas: emprego, renda, salário mínimo, Bolsa Família e redução da pobreza. Hoje foi diferente. Lula não citou adversário nem pediu voto. Mas dedicou o final do discurso à eleição daqui a 12 dias. Disse que os brasileiros vão decidir entre “democracia e negacionismo” e entre “um futuro de mais oportunidades” e “um passado de exclusão”. Não disse quem representava cada lado. Mas não é difícil entender onde Lula se coloca nessa escolha. E onde está Flavio Bolsonaro de acordo com a visào do presidente.

Em 2006, a campanha levou a ONU para a eleição, com direito a aplausos em pé inexistentes. Em 2026, Lula levou a eleição para a ONU. E fica no ar uma pergunta que só as urnas podem responder: será que ele volta a essa tribuna no ano que vem?

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