Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
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Eduardo Oinegue

Candidatos à Presidência podem aprender um com o outro

Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

3 min

06/10/2026 23:41 • Atualizado há 16 dias

Olha que curioso. Lula tem muito a aprender com Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tem muito a aprender com Lula. Parece meio doido quando a gente ouve, mas é isso mesmo. Lula está hoje praticamente no mesmo lugar em que Jair Bolsonaro estava em 2022.

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É presidente, candidato à reeleição e saindo do primeiro turno em segundo lugar. E Flávio está no lugar em que Lula estava naquele ano: tentando tirar do poder um presidente que busca a reeleição e chegando na frente na primeira rodada. Duas diferenças.

Em 2022, eram dois presidentes na corrida eleitoral, coisa que nunca havia acontecido antes. Um querendo ficar, o outro querendo entrar. E este ano a disputa está ainda mais apertada. Flávio e Lula terminaram o primeiro turno separados por apenas 2,2 milhões de votos. Em 2022, a vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro era quase três vezes maior. E por que Lula deveria aprender com Jair Bolsonaro, se o ex-presidente perdeu aquela eleição? Justamente por isso.

Para olhar o que ele fez naquelas últimas semanas, entender o que não funcionou e tentar fazer diferente. E Flávio pode fazer a análise inversa: olhar para Lula daquela eleição e repetir o que deu certo. Presidente que disputa a reeleição começa a campanha no dia em que toma posse. No caso de Lula, 2023. Planta durante quatro anos e colhe na eleição. Bolsonaro chegou à 2022 com o que podia colher, que foi insuficiente, resultado de problemas acumulados no governo e uma rejeição alta antes mesmo da campanha começar. Lula chega a 2026 com um desafio parecido. Por isso Lula precisa olhar para 2022 com muita atenção.

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Jair Bolsonaro tentou consertar no segundo turno pendências que se arrastaram por quatro anos. Lula tem menos de três semanas para refazer a impressão que deixou no eleitor no primeiro turno. Flávio, por sua vez, já começou a fazer em 2026 o que Lula fez em 2022. Lula atraiu adversários derrotados no primeiro turno, como Simone Tebet. Flávio repetiu o gesto com Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Lula foi atrás de nomões, como Fernando Henrique Cardoso e os economistas do Plano Real. Flávio trouxe Tarcísio de Freitas e dialoga com lideranças partidárias.

O desafio de Lula é maior. Porque, por definição, quem termina na frente fez a melhor campanha. E como você sabe, a estatística joga a favor: nos sete segundos turnos presidenciais desde 1989, quem liderou a primeira virou presidente. Quem está atrás precisa quebrar o tabu. E tem, em geral, três armas: melhorar a comunicação dos programas do governo, desconstruir com mais firmeza a biografia do adversário ou o mais difícil, arrumar uma novidade.

Faltam três semanas para Lula operar uma virada e tentar vencer o filho do mesmo jeito que venceu o pai. Flávio se prepara para impedir isso, e tentar fazer com Lula o que, no confronto direto, Jair Bolsonaro não conseguiu.

Candidatos à Presidência podem aprender um com o outro