Chega de palhaçada? A eleição acabou
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Eduardo Oinegue
Band
Será que eles conseguem colocar um ponto final na patetada? Chega de conversa sobre fraude eleitoral, de candidato derrotado dizendo que é o verdadeiro presidente eleito, de insistir em transformar a eleição numa guerra que nunca termina. Acabou.
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Lula recebeu mais votos e venceu. O Brasil assistiu a pior campanha de todos os tempos. A mais baixa, com acusações pra todo lado, sem ideias, sem propostas. Uma disputa que só deixou o eleitor assustado. Mas acabou. E está mais do que na hora de começar a parte séria, que é a política.
Política é o governo escolher seus ministros, definir prioridades, apresentar um programa que caiba no orçamento e explicar como vai cumprir as promessas. Sim, e como vai fazer o ajuste fiscal para sobrar dinheiro para investimento e espaço para reduzir a divida publica. Isso é política. Tambem é politica a oposição se organizar para fiscalizar, cobrar resultados e oferecer alternativas. Oposição, não meninos maluquinhos fazendo live. Denunciando que o Brasil virou uma Venezuela porque não virou.
Politica é o Congresso se preparando para escolher as mesas diretoras, os presidentes da Câmara e do Senado, as comissões que vão examinar os projetos e as emendas constitucionais -- e controlar o Executivo. No ano que vem tem eleição no Congresso. Vai ser em fevereiro. É fundamental. Quem comanda as Casas influencia a pauta. Na Câmara, tudo indica que Hugo Motta fica.
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No Senado, a disputa pode ser mais dura, com Davi Alcolumbre buscando manter o comando e nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina no tabuleiro. Ganha quem chegar a 41 votos. Política é tambem a reorganização da direita. A família Bolsonaro está fragilizada: Jair está preso, Eduardo está nos Estados Unidos, agora acompanhado por Flávio. Sobrou Carlos e Michele, dois senadores que não se bicam.
O bolsonarismo elegeu parlamentares e conserva milhões de eleitores. Mas quem vai transformar essa força numa oposição capaz de disputar o poder? A entrevista de Tarcísio de Freitas ao Estadão oferece um contraste. O governador reconheceu a soberania das urnas, defendeu uma oposição responsável e disse que é preciso cobrar o governo. Criticou o uso da máquina e a campanha do medo, mas reconheceu a competência do PT para mobilizar eleitores e vencer. É hora de olhar para a frente. O eleitor já escolheu seus representantes.
Agora é a vez dos políticos. Menos encenação, menos ressentimento, menos campanha permanente. Mais governo, mais fiscalização, mais debate sobre o que realmente importa. A eleição terminou. É hora de fazer política.
