Diziam que Flávio Bolsonaro era o candidato ideal para Lula bater
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue
Quando Flávio Bolsonaro foi escolhido para disputar a Presidência, a campanha de Lula festejou e uma parte da direita esbravejou. Queriam um candidato com mais entrada no centro, alguém que fosse capaz de ampliar o eleitorado para além do bolsonarismo.
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Flávio não era um bom nome. Por que não Tarcisio de Freitas? No petismo, no bolsonarismo raiz e no meio empresarial teve gente descrevendo Flávio como o adversário ideal para Lula derrotar.
Quando as urnas foram abertas neste domingo, o candidato ideal para Lula derrotar apareceu em primeiro e Lula em segundo -- colocando diante do presidente o desafio de virar uma estatística que está em 9 a 0.
Desde a redemocratização, tivemos nove eleições presidenciais. Em todas, quem teve mais votos no primeiro turno acabou eleito presidente. Nunca houve virada. A campanha do PT dizia que Flávio não é igual a Jair Bolsonaro, que derrotou o PT em 2018 quando Lula estava na cadeia e Fernando Haddad o representou, mas foi derrotado por Lula em 2022 quando no único confronto direto entre os dois.
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As urnas de 2026 mostraram que a escolha do PL estava certa.E agora o PT precisa achar um jeito de desafiar a estatística. Em 2022, Jair Bolsonaro tentou e não deu certo. Mesmo sendo o presidente, chegou ao segundo turno atrás de Lula e perdeu. Agora, quem ocupa a Presidência e tenta a reeleição é Lula. E quem chegou atrás foi Lula. Para continuar no Planalto, Lula tem que transformar o 9 a 0 em 9 a 1.
O eleitor foi às urnas para o que parecia ser a eleição mais sem graça dos últimos tempos. Acabou sendo uma das mais surpreendentes. Porque já tivemos eleições em que o eleitor quis preservar a estrutura, como em 1994, elegendo presidente o ministro da Fazenda. Tivemos eleições em que o eleitor quis romper com as estruturas.
Aconteceu em 1989, quando todos os candidatos a presidente eram de oposição ao governo Sarney. E aconteceu em 2018, quando Jair Bolsonaro chegou ao Planalto embalado por uma onda de renovação e pela rejeição à política tradicional. A eleição de 2026 misturou as coisas.
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O eleitor manteve muitos governadores, escolheu políticos experientes e reelegeu boa parte da Câmara. Ao mesmo tempo, mudou profundamente o Senado, deu ao PL uma força que um partido não tinha há décadas no Congresso e tirou do presidente da República o primeiro lugar no primeiro turno. Não foi uma ordem para mudar tudo. O eleitor preservou estruturas onde quis preservar e mudou a correlação de forças onde quis mudar.
Talvez por isso esta eleição seja mais difícil de resumir numa palavra. Não foi uma eleição de continuidade nem uma eleição de ruptura. Foi uma eleição de rearranjo. E oferecendo ao país um segundo turno para lá de emocionante.
