Flávio Bolsonaro luta contra escrita desafiadora
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue
Flávio Bolsonaro começa a semana final da campanha lutando para quebrar uma escrita da história eleitoral brasileira. Lula começa a semana torcendo para que ela seja mantida. E a escrita começou a dar as caras hoje, na primeira pesquisa da reta final. Pesquisa da Quaest onde Lula aparece em primeiro, com 39%. E Flávio em segundo, com 34%.
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A equipe de Flávio não gostou do que viu. A de Lula respirou um pouco, mas sabe que 5 pontos é pouco para confiar tanto assim na escrita. E que escrita é essa? Desde 1989, quem liderava as pesquisas a uma semana do primeiro turno virou presidente. Foram 9 eleições. E isso aconteceu 9 vezes. Nas 2 vitórias de Fernando Henrique no primeiro turno, em 1994 e 1998, e nas 7 disputas que foram para o segundo turno.
Só que a escrita nunca foi testada com uma diferença tão pequena, de 5 pontos, pouco acima da margem de erro de 2 pontos para cada lado. Em 1989, Collor estava 15 pontos à frente de Lula. Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, Lula tinha 24 pontos à frente de José Serra. Em 2006, quando Lula foi reeleito, ele tinha 16 sobre Geraldo Alckmin.
Em 2010, eleição vencida por Dilma, ela tinha 23 pontos à frente de Serra, que tentou ser presidente pela segunda vez e não conseguiu. Em 2014, Dilma estava 21 pontos à frente de Aécio Neves. Na última eleição, Lula estava 13 pontos à frente de Jair Bolsonaro. O caso mais apertado até hoje aconteceu em 2018, eleição vencida por Bolsonaro.
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Uma semana antes do primeiro turno, ele aparecia 7 pontos à frente de Fernando Haddad. Ainda assim, 2 a mais do que hoje. Ou seja, a escrita nunca foi testada numa distância tão espremida entre dois candidatos. Só que também nunca foi testada num cenário em que o governo agiu de maneira tão forte na reta final para vitaminar uma candidatura. Em 17 de setembro, o Bolsa Família foi reajustado em 15%.
Em 25 de setembro, veio a proibição das bets. No mesmo pacote, um novo programa de renegociação de dívidas. E ainda o anúncio da distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS. Cada medida tem sua justificativa, e sempre se poderá dizer que o mandato presidencial só acaba no fim do ano.
Mas vamos combinar que essas medidas todas concentradas mostram um governo em modo turbinado para garantir que a escrita seja mantida. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem poucas armas. Oposição não reajusta benefício. Quem pode fazer isso é o governo, como fez Jair Bolsonaro em 2022.
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O máximo que Flávio pode fazer é o que está fazendo. Apertou o discurso contra o governo. Anunciou que vai ao debate marcado por uma emissora de TV e desafiou Lula a comparecer. E torce para que a abstenção pese mais entre os eleitores de Lula do que entre os dele. Se isso acontecer, ele tem uma chance de quebrar a escrita, que tem 37 anos. Vamos acompanhar.
