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Eduardo Oinegue

Lula e Flávio levam o teste de fidelidade para a política

Veja no comentário de Eduardo Oinegue

3 min

22/10/2026 22:24 • Atualizado há 2 dias

Lula e Flávio levam o teste de fidelidade para a política

Lula e Flávio levam o teste de fidelidade para a política

Reprodução/Band

O maior festival de baixarias que a política nacional já produziu. A eleição presidencial de 2026 vai chegando ao fim como a pior campanha de todos os tempos. E piorou na reta final com o teste de honestidade. Você talvez já tenha visto o Teste de Fidelidade, na TV.

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A produção colocava o alvo da desconfiança num ambiente cheio de câmeras, com uma atriz ou um ator sensualizando, para ver se ele ou ela cedia à tentação. O teste de honestidade entre Lula e Flávio Bolsonaro é uma versão disso, só que mais grotesca, porque acontece na vida real. Adultos que se propõem a chefiar o Poder Executivo discutindo quem é mais honesto, com uma prova impossível: a quebra de sigilo que lhes convém.

Honestidade não se prova com documentos. O sujeito pode entregar saldos e comprovantes sem nada errado e guardar R$ 51 milhões em malas num apartamento, como o Brasil viu em Salvador. O desafio surgiu no debate da Band, quando Flávio chamou Lula de corrupto e Lula propôs que os 2 quebrassem seus sigilos. 2 dias depois, a campanha de Lula protocolou no TSE uma autorização para divulgar os dados dele, de Janja, dos 5 filhos e de sua empresa.

Com uma condição: Flávio teria que entregar os dele, do pai, da mãe, da mulher, dos irmãos e de uma lista de empresas. Encurralado, porque ficaria feio fugir, Flávio aceitou, desde que Lula acrescentasse o Instituto Lula, um ex-chefe de gabinete, a agenda de Janja e as visitas do banqueiro Daniel Vorcaro ao Planalto. Mais CPFs, mais CNPJs, mais papel.

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Repare na honestidade condicionada. Eu mostro se você mostrar. E cada um definindo transparência como aquilo que vai expor o outro. Nos Estados Unidos, Donald Trump entregou uma declaração pública de quase 300 páginas, exigida por lei, com imóveis, empresas, dívidas e faixas de valor das contas bancárias. Só que ali não aparecem os 2 bilhões de dólares que o fundo soberano saudita aplicou numa empresa do genro do presidente.

Nem o investimento da gestora de Donald Trump Júnior numa fabricante de ímãs que, 3 meses depois, recebeu um empréstimo de 620 milhões de dólares do Pentágono. Ou os 500 milhões de dólares que um xeque dos Emirados pagou por quase metade da empresa de criptomoedas da família, em acordo assinado por Eric Trump.

As operações podem estar todas corretas. O ponto é que o documento mais completo do mundo, assinado por Trump, não mostra nada disso. Transparência sob controle de quem se declara honesto prova muito pouco. Por isso a quebra de sigilo só acontece quando a polícia ou o Ministério Público investigam um suspeito. Como atestado de honestidade, essa guerrinha patética é inócua. O prejuizo, no entanto, existe.

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São políticos, que vivem reclamando da criminalização da política, ateando fogo às próprias vestes. E aceitando a troca a presunção de inocência pela presunção de picaretagem.