Medo é emoção mais poderosa que as eleições podem explorar
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue
Aparece uma menina no campo. Na mão dela, uma margarida. Aí ela vai arrancando as pétalas e contando em voz alta. Um, dois, três. Um número para cada pétala. Ela se atrapalha um pouco, repete uns números, depois retoma. É criança. Quando chega no nove, a voz dela some e entra uma voz grave, que começa uma contagem regressiva. Dez, nove, oito. Contagem em inglês. A câmera vai fechando num dos olhos da menina.
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A tela fica preta no preto dos olhos e, quando chega no zero BUM! Entra aquele cogumelo da explosão nuclear. Bummm! Só então dá para entender essa cena. Porque aparece a voz do então presidente americano Lyndon Johnson, falando que está em jogo um mundo onde as crianças possam viver e coisa e tal. E ele era candidato à reeleicão. 1964. E venceu por uma margem esmagadora.
A lógica do comercial era atacar o candidato republicano, que defendia uma política externa mais dura. Johnson queria associar essa postura ao aumento do risco de uma guerra nuclear. O comercial virou um clássico da propaganda política. Explorando o quê? O medo. O medo é uma das emoções mais poderosas que uma campanha eleitoral pode explorar. Quem governa procura assustar o eleitor com o risco de perder conquistas e direitos se a oposição vencer.
E quem está na oposição devolve com a esperança de mudança, mas também explora o medo de que a continuidade do governo significa deixar os problemas sem solução. Você conhece esse jogo. Lula e o PT foram alvo do discurso do medo quando eram oposição e queriam chegar ao poder. Foram quatro tentativas contra candidatos oficiais.
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Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso associou a vitória de Lula a riscos para a estabilidade econômica. O PSDB venceu as duas eleições. Em 2002, José Serra repetiu o argumento, mas perdeu. Em 2022, Jair Bolsonaro tentou a reeleição advertindo que a vitória de Lula aproximaria o Brasil do comunismo e ameaçaria a liberdade religiosa. Também perdeu.
Ou seja, em quatro ocasiões com o PT na oposição, em duas o discurso do medo funcionou contra Lula e em duas não funcionou. Tá no empate. Mas, quando o PT chegou ao Planalto, passou a explorar o mesmo discurso contra a oposição. Em 2006, Lula contra Geraldo Alckmin. Em 2010, Dilma contra José Serra./ Em 2014, Dilma contra Aécio Neves.
As campanhas advertiam sobre o risco de perder conquistas sociais e econômicas, de cortes em benefícios e de privatizações. Deu certo três vezes. Agora, em 2026, Lula volta a utilizar esse argumento contra Flávio Bolsonaro.
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O risco de perder programas sociais. Flávio responde com a promessa de mudança e esperança, palavras que Lula utilizou em 2002. E agora? O discurso do medo vai ganhar de novo? Ou o discurso da esperança? As pesquisas dão pistas. Mas só vamos saber mesmo no dia 25.
