Eduardo Oinegue
Jornal da Noite

Medo é emoção mais poderosa que as eleições podem explorar

Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

3 min

13/10/2026 23:04 • Atualizado há 3 horas

Aparece uma menina no campo. Na mão dela, uma margarida. Aí ela vai arrancando as pétalas e contando em voz alta. Um, dois, três. Um número para cada pétala. Ela se atrapalha um pouco, repete uns números, depois retoma. É criança. Quando chega no nove, a voz dela some e entra uma voz grave, que começa uma contagem regressiva. Dez, nove, oito. Contagem em inglês. A câmera vai fechando num dos olhos da menina.

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A tela fica preta no preto dos olhos e, quando chega no zero BUM! Entra aquele cogumelo da explosão nuclear. Bummm! Só então dá para entender essa cena. Porque aparece a voz do então presidente americano Lyndon Johnson, falando que está em jogo um mundo onde as crianças possam viver e coisa e tal. E ele era candidato à reeleicão. 1964. E venceu por uma margem esmagadora.

A lógica do comercial era atacar o candidato republicano, que defendia uma política externa mais dura. Johnson queria associar essa postura ao aumento do risco de uma guerra nuclear. O comercial virou um clássico da propaganda política. Explorando o quê? O medo. O medo é uma das emoções mais poderosas que uma campanha eleitoral pode explorar. Quem governa procura assustar o eleitor com o risco de perder conquistas e direitos se a oposição vencer.

E quem está na oposição devolve com a esperança de mudança, mas também explora o medo de que a continuidade do governo significa deixar os problemas sem solução. Você conhece esse jogo. Lula e o PT foram alvo do discurso do medo quando eram oposição e queriam chegar ao poder. Foram quatro tentativas contra candidatos oficiais.

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Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso associou a vitória de Lula a riscos para a estabilidade econômica. O PSDB venceu as duas eleições. Em 2002, José Serra repetiu o argumento, mas perdeu. Em 2022, Jair Bolsonaro tentou a reeleição advertindo que a vitória de Lula aproximaria o Brasil do comunismo e ameaçaria a liberdade religiosa. Também perdeu.

Ou seja, em quatro ocasiões com o PT na oposição, em duas o discurso do medo funcionou contra Lula e em duas não funcionou. Tá no empate. Mas, quando o PT chegou ao Planalto, passou a explorar o mesmo discurso contra a oposição. Em 2006, Lula contra Geraldo Alckmin. Em 2010, Dilma contra José Serra./ Em 2014, Dilma contra Aécio Neves.

As campanhas advertiam sobre o risco de perder conquistas sociais e econômicas, de cortes em benefícios e de privatizações. Deu certo três vezes. Agora, em 2026, Lula volta a utilizar esse argumento contra Flávio Bolsonaro.

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O risco de perder programas sociais. Flávio responde com a promessa de mudança e esperança, palavras que Lula utilizou em 2002. E agora? O discurso do medo vai ganhar de novo? Ou o discurso da esperança? As pesquisas dão pistas. Mas só vamos saber mesmo no dia 25.