Eduardo Oinegue

O mundo tem sido cruel com quem quer se reeleger

Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

3 min

09/10/2026 23:05 • Atualizado há 4 horas

Qual é a chance real de Lula se reeleger? Até algumas semanas atrás, essa eleição prometia ser uma das mais chatas da história e está virando uma corrida pra lá de animada. Teve muita surpresa nos estados, mas a grande pergunta é se Lula se reelege ou se, em janeiro, teremos Flávio Bolsonaro presidente.

Continua depois da publicidade

Nos Estados Unidos, só aconteceu duas vezes de pai e filho chegarem à Presidência: com os Adams, no século 19, e com George Bush e Bush Filho. No Brasil, tivemos no máximo tio e sobrinho: o Marechal Deodoro da Fonseca e Hermes da Fonseca, sexto presidente eleito na República Velha. Pai e filho seria a primeira vez. Como seria inédito um presidente eleito quatro vezes.

A estatística nacional voceê já sabe que desafia Lula. Porque desde 1989, todos os vencedores em segundo turno terminaram o primeiro na frente, posição de Flávio. Como a distância entre os finalistas nunca foi tão pequena, só um doido apostaria que a fatura está liquidada. Mas eu queria falar de outra estatística que desafia Lula, que é uma estatística internacional. Ser governo já foi uma mão na roda para ganhar eleições nacionais.

Segundo um levantamento publicado no Financial Times, os governistas venciam 75% das eleições nos países desenvolvidos no começo dos anos 2000. Em 2024, venceram apenas 15%. Mas atenção: não é simplesmente a esquerda perdendo, como querem fazer crer os bolsonaristas. O traço comum era governar. Na América Latina, a Colômbia saiu da direita para a esquerda e voltou à direita. Ou seja, governo sempre perdendo. O Chile saiu de Piñera para Boric e voltou à direita com Kast. De novo, troca entre governo e oposição. A Argentina trocou o peronismo por Macri, voltou aos peronistas e agora aposta em Milei.

Continua depois da publicidade

A frustração com uma troca prepara a próxima. Mas a continuidade também vence: o Paraguai manteve a direita em 2023 e o México manteve a esquerda em 2024. De uma forma geral, a cobrança do eleitor está difícil de satisfazer. Pega Trump, que derrotou os democratas. O governo dele tem 30% de aprovação. Macron enfrenta baixa popularidade na França; na Espanha, Sánchez vê a oposição liderar as pesquisas. Até Narendra Modi, viu seu partido perder a maioria parlamentar.

A inflação caiu, mas os preços não voltaram ao que eram. A moradia ficou distante do salário. Crime, corrupção e serviços ruins alimentam a perda de controle. O jovem estuda e não encontra a ascensão esperada. Os governos respondem por um desconforto que não conseguem contornar. Flávio aposta que essa inquietação vai derrubar Lula.

Lula tenta repetir a continuidade mexicana de López Obrador para Claudia Sheinbaum. Flávio precisa convencer que a mudança não é um salto no escuro. Lula, que a continuidade vale a pena. No dia 25, a gente vai conferir se dá a regra das mudanças ou se dá a exceção.

Tópicos relacionados