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Eduardo Oinegue

Oinegue: O silêncio vergonhoso dos candidatos à presidência

O Brasil adora eleger um inimigo do crescimento e quando eu digo um, é um mesmo. Porque a gente simplifica, como se o progresso, que é tão difícil de

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01/10/2026 22:54 • Atualizado há 23 dias

O Brasil adora eleger um inimigo do crescimento e quando eu digo um, é um mesmo. Porque a gente simplifica, como se o progresso, que é tão difícil de alcançar, dependesse de uma medida só. Essa medida já foi vencer a inflação, agora é derrubar os juros.

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Mas, se fosse assim simples, os efeitos já teriam aparecido e não apareceram. Quando a inflação estava nas alturas, diziam que o Brasil entraria nos trilhos quando ela fosse abatida. Veio o Plano Real, que derrotou a hiperinflação. E aconteceu o quê? O Brasil cresceu de forma vigorosa?

Os dados não autorizam dizer isso. Tomando como ponto de partida o marco zero do Plano Real, 1995, e 2025, o PIB brasileiro cresceu, em média, pouco mais de 2% ao ano, contra 3% de crescimento mundial. Vencemos a hiperinflação, mas continuamos atrás do mundo. Agora, o inimigo da vez é a taxa de juros. Que é demoníaca, porque que destroi a produção, mata as empresas e endivida as familias.

Mas, se for derrubada, pode escrever em pedra: o Brasil não vai crescer de forma sustentada só por causa disso. Tem que ter junto um pacote de transformações mais sofisticado e difícil de implementar. Ninguém duvida de que os juros precisam cair, assim como a inflação precisava cair. São condições importantes para o crescimento, mas não resolvem sozinhas o problema. Basta comparar dois períodos contínuos de cinco anos da nossa história recente.

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O de maior crescimento, de 2004 a 2008, e o de pior desempenho, de 2014 a 2018. No primeiro, o PIB cresceu em média 4,8% ao ano; no segundo, encolheu 0,6%. Sabe qual foi a taxa de juros real média no período de maior crescimento? Quase o dobro da registrada no período de pior desempenho. Longe de mim dizer que juros altos fazem a economia crescer.

O dado mostra só que não dá para explicar o crescimento por uma variável só. E os candidatos a presidente, que deveriam propor um debate maduro sobre os principais temas nacionais, deixaram o tem “crescimento” de lado. Falaram de juros, claro, mas programa concreto de desenvolvimento que é bom não apareceu.

Inflação baixa e juros civilizados fazem parte da cesta de medidas para um país progredir. Cesta que se completa com contas públicas sustentáveis, que reduzem incertezas; investimento em infraestrutura; educação básica de qualidade e formação técnica; tecnologia e inovação nas empresas; regras mais simples e previsíveis; concorrência e abertura para o comércio internacional.

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Tudo isso para elevar a produtividade, fazer cada trabalhador produzir mais valor e permitir que a renda cresça de forma duradoura. Sem isso, podemos derrubar os juros e continuar crescendo pouco. O que é trágico.

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