O vale-tudo na reta final da campanha eleitoral
Campanha eleitoral começa com estratégia. E de repente vira luta pela sobrevivência, que é o que está acontecendo agora com essa safra de anuncios de
Campanha eleitoral começa com estratégia. E de repente vira luta pela sobrevivência, que é o que está acontecendo agora com essa safra de anuncios de programas do governo Lula. É o tal negócio.
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Quando a campanha está no inicio o candidato e os marqueteiros definem um posicionamento, procuram entender como o eleitor pode reagir a esta ou aquela proposta, escolhem temas, criam discursos e respostas estruturadas.
Se a pesquisa reage como a campanha esperava, muito que bem. Mas, se começam a surgir uns números meio esquisitos no caminho, a estratégia dá lugar à luta pela sobrevivência eleitoral.
Porque acontece muito em campanha de o calendário correr mais depressa que o planejamento. Quando a eleição está apertada e faltam poucos dias, a estratégia vira salve-se quem puder. Quem gosta de futebol conhece. É aquele momento em que o jogo está empatado e o time precisa da vitória ou está perdendo e precisa empatar.
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Aí o técnico manda o goleiro atravessar o campo e ir pra área adversária tentar o gol do desespero. E você vê aquele goleiro correndo feito uma siriema, com luva e uniforme colorido, pra tentar cabecear um cruzamento e fazer um milagre.
Nessa hora, não interessa mais o desenho tático. É tentar o gol. Às vezes dá certo, às vezes não./ E é exatamente essa fase da campanha presidencial que estamos começando a assistir. Lula, que tenta o quarto mandato, acaba de anunciar um reajuste de 15% no Bolsa Família, a pouco mais de 15 dias da eleição.
O governo obviamente não fala em medida eleitoreira porque medida eleitoreira é sempre a do adversário. Em 2022, Jair Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de 400 para 600 reais, ampliou o auxílio-gás e criou benefícios para caminhoneiros e taxistas. O PT acusou Bolsonaro de usar programas sociais eleitoralmente e chegou a pedir ao TSE que o investigasse.
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Gleisi Hoffmann dizia que era preciso mostrar ao eleitor que aquilo era “oportunismo eleitoral” e que não compraria o voto dos pobres. Bolsonaro tinha a caneta e mandou ver. Agora Lula tem a caneta e manda ver. E não ficou nisso. No mesmo dia, o governo passou a falar em oferecer caneta emagrecedora de graça pelo SUS.
E deve vir mais coisa, porque o ministro da Fazenda, que ficou no lugar de Fernando Haddad, anunciou vai ter mais um programa de renegociação de dívidas. É uma medida atrás da outra justamente quando o relógio começa a apertar. Uma resposta para as pesquisas que colocam Flávio Bolsonaro e Lula em empate técnico, no primeiro e no segundo turno.
É aí que muda a campanha. Meses antes da eleição, existe tempo para construir uma imagem, testar uma mensagem e trocar uma ideia que não funcionou. A duas ou três semanas da votação, planejamento é luxo. O candidato olha para a pesquisa, olha para o calendário e faz duas coisas: ataca o adversário e abraça o populismo. Pode dar certo, pode não dar. É tensão até o ultimo voto.
