Próximo governo deve ajustar contas públicas antes de crises estourarem
Veja no comentário de Eduardo Oinegue.
O Brasil tem a mania de só arrumar as contas públicas quando a crise já explodiu. Foi assim em 1964,quando Roberto Campos e Octávio Gouvêa de Bulhões cortaram gastos, reformaram os impostos e criaram o Banco Central. Isso só aconteceu depois da inflação chegar perto de 100% ao ano e da economia praticamente travar.
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Pega o Plano Real. Ele só saiu depois de uma década de inflação descontrolada. Precisava demorar tanto? Em 1999, o governo Fernando Henrique fez o primeiro grande superávit primário com o país debaixo de um ataque especulativo, já de pires na mão no FMI e com o real desabando.
A Lei de Responsabilidade Fiscal nasceu desse trauma. Michel Temer aprovou o teto de gastos depois de dois anos de recessão e de uma queda de quase 7% do PIB, que é a herança da lamentável passagem de Dilma pela presidência.
Em 2019, a reforma da Previdência passou no governo de Jair Bolsonaro, e até dá para dizer que a crise naquele momento não era aguda. Mas a reforma só passou porque a recessão de 2015 e 2016 (Dilma!) ainda assombrava o Congresso. O medo ainda estava fresco na memória. E tivemos uma grande chance desperdiçada.
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Entre 2007 e 2010, no segundo governo Lula, o Brasil vivia o auge do ciclo das commodities e a arrecadação tributária explodiu. Era a hora de guardar, de reformar com calma e de reduzir a dívida. Só que o governo achou que estava rico e fez o contrário. Ampliou gastos e começou a despejar dinheiro no BNDES.
Até 2014, já com ela, já com Dilma, foram mais de 400 bilhões de reais, em empréstimos subsidiados para os campeões nacionais escolhidos sabe-se lá por qual critério. Quando a maré virou, o país desandou. Entra governo, sai governo, o Brasil nunca fez um ajuste em tempos normais. Sempre esperou o desajuste fazer o serviço sujo. E o desajuste cobra caro.
Quem empresta ao governo desconfia e cobra juros mais elevados. O dólar dispara e encarece tudo, do pão ao remédio. A inflação come o salário, a aposentadoria e o benefício social, e a conta do governo gastador termina no bolso de quem tem menos.
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Depois vêm a recessão e o desemprego. A arrecadação despenca, e o corte acontece na marra, em saúde, educação e segurança, sem critério e sem direito de escolha. Hoje a dívida passa de 82% do PIB, o déficit de verdade é de 52 bilhões de reais e o juro real é um dos maiores do planeta.
A crise pesada ainda não bateu na porta, mas está mandando recados claros. Quem assumir o próximo governo pode fazer o que nenhum presidente fez, que é ajustar antes do desastre. Com método, escolhendo onde cortar e distribuindo o sacrifício com algum grau de justiça. Pode também repetir o roteiro de sempre e esperar a crise decidir por ele.
Pela gastança do governo atual e pelos anúncios de programas gastadores que as campanhas estão fazendo, o cheiro não é bom. E quando isso acontece sabe quem paga mais caro? O pobre que os dois candidatos dizem defender.
