Quem ganhou e quem perdeu as eleições dos Estados Unidos
Veja no comentário do âncora do Jornal da Noite, Eduardo Oinegue

Oinegue
Band
Donald Trump tomou uma paulada no meio da testa. Não é trivial perder o controle da Câmara e do Senado ao mesmo tempo. E ter que governar a partir de janeiro do ano que vem com as duas Casas comandadas pelos democratas. Do final da segunda guerra para cá, os Estados Unidos tiveram 13 presidentes sem contar Trump. E só quatro presidentes passaram por essa experiência de sofrer uma derrota dupla nas eleições de meio de mandato. Trump é o quinto. Foram dois democratas e dois republicanos.
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O que aconteceu com eles ajuda a dimensionar a derrota de Trump. E a matemática dos precedentes não é muito animadora para ele. Dos quatro presidentes que perderam as duas maiorias, três estavam no primeiro mandato: Harry Truman, em 1946, Dwight Eisenhower, em 1954 e Bill Clinton, em 1994. Os três disputaram a eleição presidencial seguinte e venceram.
Portanto, perder o Congresso não impediu nenhum dos três de continuar na Casa Branca. Só que Trump não está no primeiro mandato. Ele está no segundo mandato. E apenas um presidente perdeu as duas casas na eleição de meio de mandato feito Trump. George W. Bush, em 2006. Ele estava no segundo mandato. A diferença é que foram mandatos sucessivos, nào como Trump que voltou à Casa Branca.
Mas no fundo é a mesma coisa porque depois de dois mandatos o presidente não pode concorrer de novo. Em 2008, os republicanos lançaram para a sucessão de Bush Filho o nome de John McCain, mas ele foi derrotado pelo democrata Barack Obama. Dos quatro precedentes, três terminaram com a vitória do presidente na eleição seguinte. Mas o único ocorrido num segundo mandato terminou com a derrota do partido que estava na Casa Branca.
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Mas por que perder o Congresso é complicado? Porque a maioria parlamentar controla as comissões, influencia quais projetos vão ser votados, conduz investigações e participa das decisões sobre o orçamento. Sem maioria na Câmara e no Senado, Trump vai ter que negociar com os democratas para aprovar leis novas. E o Senado pode rejeitar indicações para cargos importantes, inclusive uma eventual vaga na Suprema Corte.
Os democratas também podem abrir investigações e a Câmara pode iniciar um processo de impeachment. Não deixa de ser uma fonte de pressão sobre o presidente. Pega o caso de Clinton. É evidente que quatro casos, ainda que formem um precedente, não permitem prever o futuro. E vitória de Obama sobre McCain não pode ser atribuída só à perda do Congresso pelos republicanos dois anos antes. Resumindo. A derrota de Trump não é o fim do mundo para ele, mas o único caso histórico comparável ao seu terminou mal para o partido do presidente.
