Relato de festa paga por Vorcaro vira assombração no STF
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue
A vida sexual de um ministro do Supremo é notícia? Digamos que ele tenha uma noitada com mulheres, faz sentido discutir isso aqui? Em princípio, um ministro, como qualquer pessoa, tem o direito de sair com quem quiser, desde que haja consentimento e tudo ocorra dentro da lei. Vida privada.
Continua depois da publicidade
Mas e se surge a acusação de que essa noitada teria sido organizada e custeada por um banqueiro? Continua a ser vida privada? Vamos ao fato objetivo: a revista piauí publicou uma reportagem segundo a qual um ministro do Supremo teria participado de uma noitada organizada e custeada por um banqueiro. Nesse caso, seria aceitável um ministro usar o apartamento do banqueiro, os funcionários do banqueiro, a comida e a bebida compradas pelo banqueiro e ficar com companhias femininas providenciadas pelo banqueiro?
A reportagem é de derrubar a toga no chão. No centro está Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo e presidente do Tribunal Superior Eleitoral./ Ministro do STF e presidente do TSE. Segundo a revista, foram examinadas 125 mensagens do celular de Daniel Vorcaro. Numa delas, Vorcaro diz que estava “fazendo graça para ministro”. Em outra, um funcionário afirma ter cedido um quarto a um “ministro com cinco meninas”. Dias depois, uma intermediária cobra de Vorcaro R$ 10 mil por uma das mulheres e diz que ela havia ficado com “Kassio”.
As mensagens não fazem referência a “Kassio Nunes Marques”. O nome completo do ministro não aparece. De forma que alguém poderia quesitonar que o “Kassio” da reportagem seja o Kassio do Supremo e do TSE. A piauí procurou o ministro. E o que disse Nunes Marques? Ele negou ter votado a favor de Vorcaro, negou ter trocado mensagens com o banqueiro e negou ter pedido o que quer que fosse. Disse ainda que não responde por atos de terceiros. Mas não esclareceu se esteve na festa nem se era o ministro citado.
Continua depois da publicidade
Sobre o núcleo da acusação, a resposta não foi direta. Embora a discussão pareça girar em torno de sexo, o assunto é outro. Estamos falando da possibilidade de um ministro do STF e presidente do TSE ter recebido uma vantagem privada. Estamos falando de compostura e independência, base da confiança da sociedade nas instituições.
O Código de Ética da Magistratura manda o juiz recusar benefícios que possam comprometer sua independência. A acusação é grave, e mesmo assim o ministro do Supremo e o presidente da Justiça Eleitoral deixou perguntas essenciais sem resposta. Diante do que foi publicado, te pergunto: você enxergaria nesse ministro a estatura exigida pelo cargo?
