Juh em cena
Juh em cena

BGS 2026: será que nossos eventos nerds deram game over?

Visitei a feira gamer e encontrei nostalgia, diversão e espaço para evoluir.

5 min

12/10/2026 13:13 • Atualizado há 1 hora

Na última sexta-feira (9), estive na 17ª edição da Brasil Game Show (BGS), no Distrito Anhembi, em São Paulo. Fui como imprensa, em um dia dedicado também aos creators, e já adianto: estava vazio? Estava. Mas calma, jovem padawan, isso era esperado, já que não era um dia aberto ao público geral. E, sinceramente, poder explorar os estandes com tranquilidade foi quase como encontrar um item lendário logo no começo do jogo.

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Agora, depois de um fim de semana acompanhando a repercussão da feira, resolvi reunir minhas impressões. E já deixo claro: gostei da experiência! Mas, como boa gamer, também encontrei algumas fases que poderiam receber uma atualização.

Vamos começar pelas verdadeiras estrelas da BGS: os cosplayers. Na minha humilde opinião, eles são uma das maiores atrações do evento. É impressionante o empenho dessa galera para entregar figurino, maquiagem, carisma e performance. Tem gente que parece ter saído diretamente da tela do videogame, e eu fico pensando que alguns desses looks devem dar mais trabalho do que zerar um jogo no modo hard. São eles que dão vida aos corredores e transformam a feira em um verdadeiro multiverso.

A imagem atual não possui texto alternativo. O nome do arquivo é: juhbgs-scaled.png

Mascote chegando na BGS 2026

Crédito: Foto/Matheus Gama

Outro espaço que ganhou meu coração foi a área de fliperamas. E olha que sou da geração Z, não vivi a época de ouro dos arcades nos anos 80, mas existe alguma coisa naquela estética que me conquista completamente. As máquinas, as luzes, os simuladores de corrida, de moto e até aqueles brinquedos que parecem ter saído diretamente de um shopping da nossa infância. É uma nostalgia meio emprestada, sabe? Daquelas que fazem a gente sentir saudade até do que não viveu.

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Mas nem só de passado vive um gamer! As ativações de realidade virtual também merecem destaque. Eu simplesmente AMO VR e contei pelo menos quatro estandes com experiências desse tipo. É aquele momento em que a tecnologia faz a gente lembrar por que se apaixonou tanto pelos videogames: a possibilidade de entrar, literalmente, em outro universo. E, dependendo da experiência, ainda sair de lá questionando se suas pernas continuam funcionando no mundo real.

Entre os grandes nomes, Nintendo e SEGA chamaram minha atenção. A Nintendo apareceu com um espaço de aproximadamente mil metros quadrados, reunindo experiências com franquias como Mario Kart, Donkey Kong e Pokémon, além de atividades com Mario e Luigi e a presença de Charles Martinet, a voz histórica do encanador mais famoso dos games. Já a SEGA trouxe um estande de 300 metros quadrados, com demos de títulos como Alien: Isolation 2 e Crazy Taxi: World Tour.

A feira também contou com espaços de marcas como Activision, Monster Energy, Square Enix, Devolver Digital e Team Liquid, além de uma área dedicada às lojas. E aqui vai uma surpresa: encontrei alguns produtos com preços até acessíveis! Claro que também tinha muita coisa custando praticamente um rim, afinal, estamos falando de um evento. A praça de alimentação, inclusive, era gigantesca, e os preços acompanhavam o tamanho. Mas nada que quem já frequentou eventos desse porte não conheça.

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Até aqui, tudo muito divertido. Mas confesso que senti falta daquele fator UAU.

Sabe quando você entra em um estande e fica completamente encantada com uma experiência que nunca imaginou encontrar? Dessa vez, não tive tantos momentos assim. Os espaços estavam bonitos, organizados e com boas atrações, mas alguns me passaram uma sensação de déjà-vu. Até o estande da Nintendo, que costuma ser um dos meus favoritos, me pareceu familiar demais. E olha que eu adoro nostalgia, mas uma novidade de vez em quando também faz bem, né?

Também senti falta de alguns nomes importantes. A PlayStation não apareceu com aquele estande próprio grandioso, embora estivesse representada por um torneio. E, como boa lolzeira que sou, senti falta da Riot Games. Ainda mais em um fim de semana que coincidiu com a final do CBLOL. Cadê nosso cantinho de League of Legends, gente? Nem uma teamfight para chamar de nossa?

No cenário competitivo, também teria adorado encontrar uma presença maior de organizações como FURIA, LOUD e paiN Gaming. Afinal, os eSports movimentam comunidades gigantescas e fazem parte da cultura gamer tanto quanto os próprios jogos.

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Outro detalhe foram os brindes. Havia pins, pôsteres, sacochilas e outros itens colecionáveis, mas nada que tivesse me feito pensar: "PRECISO DISSO AGORA!". Talvez quem acompanhou edições como a de 2017 entenda o que quero dizer. A expectativa em torno das ativações e dos brindes era uma atração à parte. Ou talvez seja só a nostalgia fazendo a gente lembrar de tudo com um filtro mais bonito. Acontece nas melhores famílias gamers.

E, enquanto eu aproveitava a experiência de sexta-feira, o público que visitou a feira nos outros dias também foi compartilhando suas impressões nas redes sociais.

Entre os comentários, encontrei visitantes satisfeitos, mas também relatos de pessoas que sentiram falta de atrações mais grandiosas, observaram um movimento menor do que esperavam ou questionaram se a experiência compensava o valor do ingresso.

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E esse último ponto merece uma conversa.

Afinal, visitar um evento como a BGS envolve ingresso, transporte, alimentação e, para quem não resiste a um colecionável, aquela comprinha que começa inocente e termina com o cartão pedindo socorro. Por isso, é natural que o público tenha expectativas altas.

Mas também acho importante lembrar que a BGS vai muito além dos lançamentos e dos estandes. Existe algo especial em estar cercada de pessoas que compartilham os mesmos interesses, encontrar personagens que fizeram parte da nossa infância e experimentar jogos que, até então, só conhecíamos pelas telas.

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Em uma época em que praticamente todos os anúncios podem ser acompanhados pela internet, talvez o maior diferencial de um evento presencial esteja justamente nisso: nas experiências que não cabem em uma transmissão ao vivo.

Gostei da BGS 2026. Me diverti, descobri atrações interessantes, admirei cosplays incríveis e matei uma saudade de uma época que, tecnicamente, nem vivi. Ao mesmo tempo, fiquei com vontade de ver mais novidades, mais experiências surpreendentes e uma presença ainda maior das comunidades que movimentam o universo gamer.

No fim das contas, não acho que seja uma questão de dar game over nos nossos eventos nerds. Muito pelo contrário! Quero continuar frequentando, descobrindo e me encantando com eles.

Porque a nostalgia pode até garantir algumas vidas extras, mas sempre existe espaço para desbloquear uma fase nova.

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*O autor da coluna tem autonomia para defender suas opiniões, baseadas em fatos e dados. Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal Band Multi, nem do Grupo Bandeirantes.