Nada te prepara para ser mãe
A privação de sono, a culpa e a “maternidade real” te fazem pensar milhões de vezes se ainda existe o desejo de ser mãe

Em uma era de maternidade real e a verdade escancarada a cada publicação de rede social, eu seguia convicta na minha certeza: eu queria ser mãe. Mas o relógio biológico não perdoa, e, conforme os anos foram se passando, cheguei a pensar em outros métodos além do tradicional.
Continua depois da publicidade
Faltava tudo, inclusive um parceiro que topasse a loucura da maternidade comigo. Nos últimos anos, confesso que não foi uma situação tão comum encontrar alguém que quisesse e estivesse disposto a abrir mão de sua vida, para se dedicar a uma mini vida.
Entretanto, acredito em uma frase de que “O que é seu, sempre chega até você” e assim, consegui – no susto – o que eu queria: os dois risquinhos rosa. Quando você realmente vê que deu certo, a primeira sensação que desperta é o de não dar conta.
Várias abas abertas na minha cabeça, que começavam desde a privação de sono que um recém-nascido exige até a poupança da faculdade. E o carro que não tem espaço, o apê que precisará de reforma, os gastos com as fraldas e leites, a escola, a culpa materna... Meu Deus!
Continua depois da publicidade
A frase que mais ecoava em minha mente era: “E se eu não der conta?”. Hoje, venho do futuro dizer que a essa frase persiste diariamente, em qualquer fase da maternidade.
Mesmo com a cabeça a milhão, segui a rotina normalmente, até porque o medo é o nosso principal sentimento quando descobrimos o positivo. Afinal, a sociedade insiste em dizer que é comum perder um bebê nos três primeiros meses. Mas comum para quem? Para uma mãe de primeira viagem, tenho certeza que não.
Nosso primeiro instinto aflora: o da proteção. Por mais que a vontade seja de contar para o mundo que você finalmente está à espera do seu tão sonhado bebê, algo mais forte e intuitivo te faz guardar segredo, para ter certeza de que ele realmente está ali.
Continua depois da publicidade
Inclusive, se você não sente enjoo ou outro sintoma de gravidez, parece que a vida está normal. Mas não está! Enquanto todos seguem suas rotinas normalmente, você sabe que ali dentro do seu ventre, um grande universo está nascendo e aflorando.
Fui para farmácia no final do expediente para comprar algumas vitaminas, eu queria me sentir saudável para gerar uma nova vida.
“O que você vai querer?”, perguntou a farmacêutica.
Continua depois da publicidade
“Uma vitamina para gestante, descobri hoje que estou grávida”, respondi já com os olhos marejados. Era a primeira vez que eu falava essa frase em voz alta.
“Parabéns, mamãe! Que você seja feliz!”, disse ela.
E foi ali, pela primeira vez, que eu me senti mãe. Desabei a chorar e quando olhei ao meu redor, a fila toda se comoveu com a minha alegria. Na hora, lembrei daquela pergunta do positivo e tive a certeza de que eu daria conta.
Continua depois da publicidade
Quando os dois risquinhos apontam no teste, nasce uma nova mãe. E nada te prepara para a sensação divina de sentir um coração batendo junto com o seu, dentro do seu ventre.
