Papo de Maternidade
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Um lugar chamado puerpério

O Baby Blues me mostrou que é possível viver o amor mais bonito da vida enquanto se atravessa uma tempestade.

3 min

21/09/2026 15:00 • Atualizado há 18 horas

Um lugar chamado puerpério

Durante a gestação, confesso que desdenhei um pouco do puerpério, o famoso período pós-parto. Isso porque tive uma gravidez completamente tranquila, sem enjoos, dores ou fortes emoções. Ouso dizer que foi o momento em que me senti mais linda e querida em toda a minha vida.

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Eis que minha bebê nasce e, de repente, todos aqueles hormônios felizes que circulavam pelo meu corpo começam a se despedir. Clinicamente, o puerpério costuma ser considerado um período de 45 dias. Mas, na prática, a história é outra: emocionalmente, ele pode se estender por muito mais tempo, acompanhando a mãe durante os primeiros meses até os dois anos da vida da criança.

No hospital, senti pela primeira vez a bagunça dos meus hormônios. Minha bebê estava com o nariz entupido — ela nasceu em uma semana muito seca — e eu implorava por um soro fisiológico na seringa. Ela apresentava dificuldades para mamar e eu, no auge da ansiedade de uma mãe de primeira viagem, dei meu primeiro piti.

Chorei de soluçar para uma enfermeira, implorando pelo soro e tentando mostrar que ela não conseguia mamar direito por causa do nariz. Como não sou de barraco, até eu me estranhei com a cena. Mal sabia o que estava por vir...

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Os dias passavam e a melancolia tomava conta. Eu estava muito feliz por tê-la nos meus braços, com saúde. Mas, ao mesmo tempo, sentia uma nostalgia estranha, como se os dias fossem cinzas e sempre iguais. As horas não passavam, e a sensação era de que todos continuavam vivendo suas vidas normalmente, enquanto a minha havia parado.

Nas madrugadas longas e nos choros infinitos, eu olhava para nossas sombras na parede escura da sala e pensava: “Será que eu realmente queria isso para a minha vida?”.

Foi então que comecei a consumir conteúdos sobre o puerpério e descobri que, além de não estar sozinha, existia um novo termo para aquilo que eu estava vivendo: o Baby Blues.

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Apesar do nome bonito, ele é uma verdadeira montanha-russa emocional, que pode trazer irritabilidade, choro fácil e instabilidade, principalmente nos primeiros dias após o parto. A gente sente um luto por quem fomos, enquanto tenta entender que nunca mais seremos as mesmas.

Mas uma frase me fez enxergar o Baby Blues de outra forma — e sei que ela pode te ajudar também: “Os dias são longos, mas os anos são curtos”.

Então, decidi mudar minha maneira de pensar e aproveitar aqueles longos dias como se fossem os últimos — porque, de certa forma, eles realmente são. A gente nunca sabe quando será a última vez que nosso recém-nascido vai dar um sorriso dormindo, se aninhar no nosso colo ou fazer caretas enquanto sonha.

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Depois de uns sete dias vivendo naquele looping do Baby Blues, tomei coragem, lavei o cabelo, coloquei uma legging e decidi que, mesmo com todos aqueles sentimentos melancólicos, faria tudo o que eu gostava para tentar tornar aquele período um pouco mais leve.

Passei horas passeando de carrinho com a minha bebê e amamentando no sol da manhã, curtindo toda a calmaria que eu não via havia anos por causa da rotina agitada de trabalho.

E, ao longo dos quatro primeiros meses, fui me buscando aos poucos, na fusão entre quem eu era e quem eu estava me tornando.

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Talvez seja isso que o puerpério faça com a gente: ele não nos devolve para quem éramos antes. Ele nos apresenta, aos poucos, a uma nova versão de nós mesmas.

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