Amizade: quando a vida ensina quem realmente fica
Talvez uma das coisas mais bonitas que a maturidade nos ensina seja entender que amizade não tem nada a ver com quantidade.

Arquivo pessoal
Talvez uma das coisas mais bonitas que a maturidade nos ensina seja entender que amizade não tem nada a ver com quantidade.
Continua depois da publicidade
Aos 20, 30 anos, a gente quer fazer parte de tudo: da turma do bar, do clube, do trabalho, da faculdade, da escola, da academia, dos encontros, das panelas... Quer estar em todas as rodas, ser lembrada, convidada, querida. E, de alguma maneira, acredita que terá muitos amigos para todas as fases da vida. Eu também já pensei assim.
Mas a vida tem uma maneira muito bonita, e às vezes dolorida, de nos mostrar o que realmente importa. Hoje, chegando aos 40 e alguns (rs), percebo que não são tantas as pessoas que precisam estar presentes o tempo inteiro. São poucas aquelas que realmente fazem diferença quando a gente precisa.
Estou vivendo um momento pessoal que tem me feito olhar ainda mais para isso. Não quero entrar em detalhes, mas tenho fé de que tudo vai dar certo! E, no meio desse processo, tenho percebido como a vida é uma verdadeira magia! Ela vai tirando algumas certezas do caminho e, ao mesmo tempo, revelando pessoas, sentimentos e verdades que talvez estivessem escondidos na correria.
Continua depois da publicidade
É curioso perceber que amizade, depois de certa idade, muda de significado. Um amigo não é necessariamente aquele que está em todas as fotos, em todos os eventos ou que sabe de tudo o que acontece na sua vida. Às vezes, é aquela pessoa que manda uma mensagem justamente no dia em que você mais precisava, quem percebe, mesmo sem você dizer, que alguma coisa não está bem. É quem escuta sem tentar resolver!
É quem conhece um pouco da sua história e sabe exatamente o que dizer, ou simplesmente fica ali, sem precisar dizer nada. E, às vezes, essa pessoa nem está naquele grupo que você imaginava que estaria: ela está dentro de um vínculo muito mais íntimo.
Pode ser um companheiro, um namorado, um amante, um parceiro de vida, um amigo que, em algum momento, se tornou muito mais do que isso.
Continua depois da publicidade
E essa seja é uma das magias da vida que eu estou tentando, cada dia mais, compreender: ter alguém que, quando você realmente precisa, está lá.
Não apenas nos dias leves, nos jantares, nas viagens, nas risadas e nas fotografias bonitas. Mas também quando a vida aperta. Quando você está mais frágil, precisa de ajuda e não tem muito a oferecer além da sua própria vulnerabilidade.
É nessas horas que a gente descobre o tamanho de alguns afetos. Amor também é amizade, parceria, cuidado, presença.
Continua depois da publicidade
E não existe fórmula pronta para definir qual deve ser o lugar de cada pessoa na nossa vida. Existem pessoas que chegam como amigos e se tornam família. Outras que são companheiros de uma fase. Outras que permanecem por décadas. E algumas que, mesmo sem estarem tão perto, carregam um espaço enorme dentro da gente.
O mais importante é a verdade daquele vínculo. E isso também me faz pensar em nós, mães. Nós que temos filhos pequenos, crianças ou adolescentes e que, muitas vezes, desejamos construir com eles uma relação de amizade. E que bonito quando conseguimos.Mas também está tudo bem se nossos filhos não forem nossos “melhores amigos”, afinal eles são nossos filhos.
Uma das maiores demonstrações de amor seja justamente não colocar sobre eles a responsabilidade de preencher o lugar de um amigo adulto, de um confidente ou de um companheiro emocional. Podemos construir com nossos filhos uma relação de confiança, cumplicidade, respeito e diálogo. Podemos estar disponíveis e ouvi-los. Podemos rir juntos, conversar sobre a vida, dividir momentos.
Continua depois da publicidade
Mas eles também precisam crescer, construir suas próprias histórias, suas próprias amizades e seus próprios caminhos. O que precisamos preservar é o amor e o respeito.
Um vínculo verdadeiro não se mede pelo número de mensagens, de encontros, de fotos ou pela quantidade de anos que alguém está na nossa vida. Ele se mede pela profundidade, verdade, reciprocidade!
Pelo quanto duas pessoas genuinamente se gostam e conseguem cuidar uma da outra, cada uma à sua maneira.
Continua depois da publicidade
A vida pode até nos surpreender com algumas ausências, mas também tem uma capacidade incrível de nos surpreender com presenças. Descobrir que, quando a vida aperta, às vezes uma única pessoa ao nosso lado pode significar muito mais do que uma multidão inteira. Não é sobre quantidade.
A amizade, o amor, a família e todos os vínculos que construímos ao longo da vida têm uma coisa em comum: não são os números que fazem uma relação ser importante: é a verdade que existe dentro dela.
Com fé de que tudo vai dar certo.
Continua depois da publicidade
E com a certeza de que a vida, mesmo quando parece não fazer sentido, continua encontrando maneiras mágicas de nos mostrar quem realmente está caminhando ao nosso lado.
