Desgaste de Netanyahu e guerra no Oriente Médio colocam futuro de Israel em jogo
Premiê enfrenta questionamentos sobre a segurança do país, acusações de corrupção e críticas internacionais

Netanyahu diz esperar vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial
Mike Segar-24.set.2026/Reuters
A condução da guerra no Oriente Médio e o desgaste político de Benjamin Netanyahu colocam em debate o futuro de Israel e de suas relações com os países vizinhos. O atual premiê enfrenta questionamentos sobre falhas no sistema de segurança do país, críticas internacionais às operações militares e um julgamento por corrupção.
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Israel adota o sistema parlamentarista. Portanto, as eleições vão definir a nova composição do Parlamento e, assim, indicar quem ocupará o cargo de primeiro-ministro pelos próximos quatro anos. Tudo vai depender da composição entre os partidos para a escolha do premiê.
São 120 cadeiras no chamado Knesset, e os principais nomes na disputa pelo comando do país são o atual premiê, Netanyahu, de 77 anos, e seu maior opositor, o general Gadi Eisenkot, de 66, ex-chefe das Forças Armadas, que concorre pelo partido de centro Yashar.
A campanha de Netanyahu se apoia principalmente na segurança de Israel e nas operações militares contra Gaza, Líbano e Irã, após o ataque terrorista do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
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Contra Netanyahu pesam os questionamentos sobre falhas no sistema de segurança do país, que não detectou o ataque terrorista. Outros fatores também o pressionam, como o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos na Faixa de Gaza. Além disso, ele enfrenta um julgamento por corrupção em Israel.
Eisenkot é filho de imigrantes marroquinos e iniciou a carreira política após quatro décadas nas Forças Armadas. Em 2025, criou seu partido, o Yashar, que o colocou como uma alternativa de centro na política israelense.
O general da reserva critica a condução do conflito em Gaza, onde perdeu o filho e dois sobrinhos. Assim como Netanyahu, rejeita a criação de um Estado palestino e apoia a existência de assentamentos na Cisjordânia, mas critica a violência de colonos judeus contra os palestinos. Eisenkot também defende o serviço militar ou civil para todos, inclusive para os ultraortodoxos.
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A eleição é importante também para a geopolítica do Oriente Médio. Em Israel, todos os candidatos são favoráveis à defesa do Estado judeu. No entanto, Netanyahu, após os ataques terroristas, tem usado, em nome dessa defesa, uma agressividade extrema.
Com o uso de força desproporcional, deixou a Faixa de Gaza como um cemitério a céu aberto, com X mortos. Atacou o Hezbollah — milícia xiita aliada do Irã no Líbano —, mas provocou milhares de mortes de civis e deslocou mais de um milhão de pessoas.
O ataque ao Irã, que teve como base alegações de envolvimento de Teerã com armas nucleares, também incendiou a região e atingiu a economia de vários países do Golfo Pérsico.
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A hostilidade do governo Netanyahu elevou a rejeição entre líderes mundiais, que passaram a defender com mais ênfase a solução de dois Estados, como faz a maioria dos países europeus.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua sendo um ferrenho aliado de Netanyahu. Ele reafirmou seu apoio ao premiê e declarou que Bibi, como é chamado, é seu grande amigo.
Uma disputa que o mundo acompanha com atenção.
