Sonia Blota

França reforça segurança para protestos e insatisfação cresce na Europa

País terá mais um fim de semana de manifestações contra o alto custo de vida

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30/10/2026 09:09 • Atualizado há 1 hora

França reforça segurança para protestos e insatisfação cresce na Europa

REUTERS/Abdul Saboor

A França se prepara para um Halloween diferente. Em vez de apenas fantasias, abóboras e festas, o país terá mais um fim de semana de manifestações contra o alto custo de vida. E as autoridades temem que a insatisfação social volte a se transformar em violência.O governo francês prepara um forte esquema de segurança para acompanhar os protestos deste sábado, dia trinta e um de outubro. Em Paris, a expectativa é de uma grande mobilização. Nas redes sociais, circulam convocações para atos noturnos, e a polícia teme que grupos radicais aproveitem as comemorações do Halloween para provocar confrontos.Mas é preciso separar as coisas. De um lado, trabalhadores, estudantes e sindicatos que reivindicam melhores salários, condições de ensino e serviços públicos. De outro, grupos que se aproveitam das manifestações para promover depredações e saques.O movimento começou em setembro, com estudantes, e ganhou a adesão de diferentes categorias. O que une boa parte dos manifestantes é a sensação de que o dinheiro já não rende como antes. Na França, os sindicatos também convocaram uma greve geral para o dia cinco de novembro. O presidente Emmanuel Macron enfrenta dificuldades políticas e orçamentárias para responder às demandas sociais.Moradia, alimentação, energia e transporte pesam cada vez mais no orçamento das famílias. E essa insatisfação não se limita à França.Na Espanha, por exemplo, a crise da habitação e o custo de vida já pressionavam o governo de Pedro Sánchez. Agora, o país enfrenta uma nova crise, agravada pela colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo.A tragédia aconteceu poucos meses depois de outro grave acidente ferroviário, em janeiro, que deixou quarenta e seis mortos na Andaluzia. A sucessão de desastres reacendeu as críticas à manutenção da rede e aos investimentos em segurança.Os maquinistas espanhóis já reivindicavam melhorias antes da colisão desta semana. Agora, a categoria cobra respostas sobre as falhas no sistema ferroviário e as medidas necessárias para evitar novas tragédias.O governo promete uma investigação completa. Mas o episódio também se tornou um problema político para Sánchez, às vésperas das eleições parlamentares de novembro.Em outros países europeus, as preocupações são semelhantes. Na Itália, trabalhadores protestam contra o custo de vida. Em Portugal, a dificuldade de acesso à moradia é uma das principais fontes de descontentamento.São movimentos diferentes, com reivindicações específicas, mas que revelam um sentimento comum: a percepção de que os salários e os serviços públicos já não acompanham as necessidades da população.E aqui está a questão central: quando a população perde a confiança na capacidade dos governos de garantir segurança, serviços públicos e condições dignas de vida, a insatisfação deixa de ser apenas econômica e passa a ser política.

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