Greve na França impacta transporte e pode levar mais de 700 mil às ruas
Motivo principal dessa revolta está no bolso dos franceses: a perda do poder de compra

Protesto durante greve em Lyon, na França, em 5 de novembro
REUTERS/Denis Balibouse
A França enfrenta nesta quinta-feira (5) mais um dia de enorme tensão social. Depois de semanas de protestos, confrontos e episódios de violência, uma greve geral promete levar pelo menos 700 mil pessoas às ruas de todo o país. E o motivo principal dessa revolta está no bolso dos franceses: a perda do poder de compra.
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O salário já não acompanha o aumento das despesas. Alimentação, combustíveis, energia e aluguéis pesam cada vez mais no orçamento das famílias. Para muitos trabalhadores, chegar ao fim do mês virou um verdadeiro desafio. E é justamente essa insatisfação que conseguiu unir praticamente todas as grandes centrais sindicais francesas, trabalhadores dos setores público e privado, estudantes e aposentados.
Os sindicatos exigem reajustes salariais, valorização do salário mínimo, proteção dos empregos e mais investimentos nos serviços públicos. O movimento também ganhou o apoio dos chamados “coletes amarelos”, que marcaram a história recente da França com grandes manifestações contra o custo de vida.
A expectativa das autoridades é de uma mobilização gigantesca. E o governo francês não quer correr riscos. Cerca de 70 mil agentes de segurança foram mobilizados em todo o território. Drones, helicópteros, veículos blindados e caminhões com jatos de água fazem parte da operação. O objetivo é impedir que as manifestações terminem novamente em saques, depredações e confrontos.
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O medo é especialmente grande entre os comerciantes. Depois dos ataques a lojas e estabelecimentos comerciais em outubro, alguns empresários voltaram a proteger as vitrines com placas de madeira. Em Paris, as autoridades chegaram a alterar o trajeto da manifestação para evitar áreas consideradas mais sensíveis.
A greve já provoca transtornos nos transportes ferroviários e na educação. Há escolas fechadas, trens cancelados e paralisações em diferentes setores da economia.
E, no centro dessa crise, está o presidente Emmanuel Macron. Pressionado pelas ruas e pelos sindicatos, o governo tenta evitar uma nova escalada da violência. Tudo isso a pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais de abril de 2027.
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Macron está no segundo e último mandato consecutivo e não poderá disputar a reeleição. A oposição tenta aproveitar a insatisfação popular para ganhar força nas urnas. E a continuidade dos protestos ameaça transformar a reta final do governo numa crise ainda maior de governabilidade.
