Sonia Blota

Jornais europeus citam mobilização da esquerda para vitória de Lula; veja

Líderes mundiais também se posicionaram. Emmanuel Macron afirmou que os dois países têm muito a construir e devem reforçar sua parceria estratégica

3 min

26/10/2026 09:40 • Atualizado há 2 horas

A vitória do presidente Lula é destaque na mídia internacional. O jornal francês Le Monde destaca a surpresa geral com a reeleição de Lula e a grande mobilização da esquerda neste segundo turno. Também chama a eleição de caótica e diz que Flávio Bolsonaro pede a anulação do pleito depois da prorrogação desordenada determinada pelo ministro Zanin. Já o Le Figaro destaca o quarto mandato histórico de Lula. O britânico The Guardian também destaca a virada e Lula fazendo história. O The New York Times disse que a vitória do petista encerra uma série de conquistas da direita na América Latina.

Continua depois da publicidade

Os líderes mundiais também se posicionaram. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que os dois países têm muito a construir e devem reforçar sua parceria estratégica. Já o premiê espanhol Pedro Sánchez classificou a vitória como um triunfo do campo progressista e disse que o mesmo ocorrerá nas eleições parlamentares da Espanha, que acontecem agora em novembro. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que vai trabalhar junto com o presidente brasileiro pelo livre comércio, pela liberdade e pelas ambições climáticas.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, saudou a vitória do presidente Lula. Pequim também cumprimentou Lula. Na América do Sul, o presidente paraguaio Santiago Peña cumprimentou o povo brasileiro pela jornada democrática e destacou a agenda comum de integração e desenvolvimento entre Brasil e Paraguai. Já a presidente peruana Keiko Fujimori cumprimentou Lula e falou sobre o fortalecimento da aliança entre os dois países e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O presidente chileno José Antonio Kast felicitou o presidente pela vitória e disse que Chile e Brasil têm muito em comum para o futuro.

Esses foram alguns dos líderes que se manifestaram. As ausências, até o momento, são as do presidente argentino Javier Milei — grande opositor de Lula na região — e do presidente americano Donald Trump. Os dois ainda permanecem em silêncio.

Continua depois da publicidade

Na França, a apuração foi acompanhada voto a voto. E tanto a esquerda quanto a direita ficaram surpresas com a decisão do ministro Zanin de prorrogar o horário de votação, uma mancha desnecessária no processo eleitoral brasileiro. Essa foi a opinião majoritária.

Agora, Lula segue para o quarto mandato e, como herança, leva um país com uma dívida pública de mais de 80% do PIB — altíssima para um país emergente — e um déficit nominal da ordem de 10% do PIB. Soma-se a isso seu pacote de bondades de mais de 300 bilhões, que deve agravar a situação se medidas de contenção não forem tomadas.

Tudo isso em um país polarizado, com instituições em xeque, principalmente o Poder Judiciário, que perdeu a credibilidade junto à população e é visto como politizado. E é certo que o show de horrores de ministros do STF durante toda a eleição, assim como as medidas polêmicas de ministros do TSE, não ajudam em nada a instituição.