Sonia Blota

Midterms testam força de Trump e podem mudar equilíbrio de poder no Congresso

As chamadas eleições de meio de mandato ocorrem a cada quatro anos e justamente no meio do mandato do presidente eleito

3 min

03/11/2026 09:25 • Atualizado há 1 hora

Midterms testam força de Trump e podem mudar equilíbrio de poder no Congresso

REUTERS/Stoyan Nenov/

Os americanos vão votar para renovar a Câmara, um terço do Senado e escolher 36 novos governadores. São 435 assentos na Câmara, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 governadores de 50 estados nesta terça-feira (3). O resultado das eleições de meio de mandato funciona como uma avaliação dos primeiros dois anos do presidente Donald Trump.

Continua depois da publicidade

As chamadas midterms ocorrem a cada quatro anos e justamente no meio do mandato do presidente eleito. Diferentemente do Brasil, os americanos podem votar de forma antecipada, pelo correio ou de forma presencial. Até domingo passado, 53 milhões de votos haviam sido computados. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.

Nos seus dois primeiros anos, o presidente Trump contou com uma verdadeira onda conservadora que deu a ele maioria republicana tanto na Câmara quanto no Senado. Com isso, houve facilidade para a aprovação de projetos de interesse do atual governo, como as pautas de imigração, impostos e guerra comercial, gastos federais, inclusive com guerras mundo afora, entre outros.

O que tem que se olhar é a nova composição tanto da Câmara quanto do Senado. Caso Trump não consiga maioria no Senado, vai ter dificuldade de indicar funcionários para altos cargos, embaixadas e a Justiça — incluindo a Suprema Corte. Cabe ao Senado americano também a decisão final sobre o impeachment de um presidente. Já uma Câmara de maioria democrata pode bloquear negociações de orçamento, ampliar investigações sobre a Casa Branca e até abrir um processo de impeachment.

Continua depois da publicidade

As últimas pesquisas indicam que o Partido Democrata deve fazer maioria na Câmara. As pesquisas mais recentes indicam que os democratas devem fazer maioria na Câmara. A disputa pelo Senado ainda está aberta e com disputa acirrada em sete estados. Entre eles, Michigan, Texas e Alasca.

Segundo pesquisas, a popularidade do presidente Trump não vai nada bem. 61 por cento desaprovam seu governo. Entre as pautas mais debatidas nessas eleições está a economia. Os americanos estão bravos com o aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis, da saúde e da habitação. Ou seja, com a perda de seu poder aquisitivo.

O conflito entre Estados Unidos e Irã, que levou ao aumento do preço dos combustíveis, é reprovado pela sociedade americana. Os democratas também acusam a política de tarifas impostas por Trump, a chamada guerra comercial, de aumentar os preços de vários produtos para os americanos, incluindo alimentos.

Continua depois da publicidade

Os americanos de origem latina que votaram em Trump mostram agora arrependimento diante da política migratória, classificada como radical. As operações violentas do ICE, a polícia de imigração, são muito criticadas.

Nos últimos dias, Trump tentou reagir e disse que essa é a eleição mais importante da vida dos americanos. Conclamou os republicanos a saírem para votar e chegou a prometer que cada americano receberá cinco mil dólares, caso os republicanos vençam as legislativas.

Não são só os Estados Unidos: o mundo segue atento aos resultados dessas eleições. As mudanças impostas pelo governo Trump na geopolítica mundial foram profundas. Os Estados Unidos se afastaram muito do multilateralismo, adotando a política da América em primeiro lugar.

Continua depois da publicidade

A Europa, por exemplo, que desde o fim da Segunda Guerra é aliada histórica dos Estados Unidos, se sente abandonada. E não mais sob o guarda-chuva americano. Os Estados Unidos sempre estiveram ao lado de Israel, mas, no governo Trump, foi um apoio incondicional.

Nos últimos anos, tanto democratas quanto republicanos sempre foram adeptos de políticas para conter a gigante China. Mas o aprofundamento da guerra tarifária imposta por Trump vem impactando a economia chinesa, que já vinha enfrentando uma crise imobiliária.

E a América Latina se viu diante de uma nova Doutrina Monroe. Em outras palavras, os Estados Unidos interferindo diretamente em toda a região.

Tópicos relacionados