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Sonia Blota

Protestos na França levam a toque de recolher e aumentam pressão sobre Macron

Equipes de limpeza recolhem os destroços, enquanto comerciantes calculam os prejuízos de lojas destruídas e saqueadas

3 min

20/10/2026 08:34 • Atualizado há 4 dias

Protestos na França levam a toque de recolher e aumentam pressão sobre Macron

REUTERS/Abdul Saboor

Paris passou a madrugada com toque de recolher em dois setores importantes: a Praça da República e a região comercial de Les Halles. As restrições também chegaram a outras cidades francesas. Em Lille e municípios próximos, o toque de recolher vale para menores de 18 anos, das oito da noite às seis da manhã.

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Nice também adotou restrições noturnas para menores. E, em Bordeaux, menores desacompanhados de um responsável legal ficam proibidos de circular das dez da noite às sete da manhã, até o dia 26 de outubro. Uma medida que mostra a gravidade da crise e o tamanho do desafio para devolver a tranquilidade às ruas.

Depois da violência do fim de semana, a capital francesa tenta retomar a rotina. Equipes de limpeza recolhem os destroços, enquanto comerciantes calculam os prejuízos de lojas destruídas e saqueadas. Para quem perdeu mercadorias e viu o trabalho de uma vida desaparecer em poucos minutos, a pergunta agora é: como recomeçar?

Uma das imagens mais dolorosas veio de Limoges, onde o prédio histórico da prefeitura foi incendiado. A destruição atingiu também um patrimônio que pertence a toda a população.

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E a polícia prendeu, nesta manhã, o principal suspeito de incendiar a prefeitura de Limoges. O homem é um ativista de extrema esquerda que já constava dos registros de segurança do Estado e era conhecido pela violência contra agentes públicos. A unidade antiterrorista também passou a atuar na investigação.

É preciso lembrar como essa mobilização começou: estudantes reivindicando melhores condições de ensino. Depois, trabalhadores se juntaram aos protestos contra o custo de vida e a perda do poder de compra. Só que aí os mascarados entram. Gente que não mostra o rosto e que promoveu cenas de selvageria em Paris e em outras cidades da França. O vandalismo ofuscou as manifestações e transformou praças históricas em praças de guerra.

Depois de vários dias sumido, Macron apareceu, no domingo, em um pronunciamento à nação, condenando a violência e atribuindo os ataques a grupos radicais de extrema esquerda e criminosos. O presidente francês prometeu esclarecer as falhas na resposta das forças de segurança. A cobrança é dupla: proteger a população e oferecer uma saída política para a insatisfação social. Isso tudo a seis meses das eleições presidenciais. A crise já vem sendo utilizada como argumento político tanto pela direita quanto pela esquerda.

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Também o presidente Trump, que está em campanha eleitoral nos Estados Unidos para as chamadas midterms, se aproveita da fragilidade da Europa, ataca Macron e associa os distúrbios aos excessos na política migratória europeia.

O presidente americano procura apresentar a França como um alerta para seu próprio eleitorado. Mas atribuir uma crise dessa dimensão apenas à imigração é simplificar um quadro que envolve educação, serviços públicos e deterioração econômica.

Gente, restabelecer a ordem é urgente, mas enfrentar as razões que levaram tanta gente às ruas também é. Os movimentos já se espalham por toda a Europa, exatamente pelo mesmo motivo: a conta no final do mês não está fechando. Os preços dos combustíveis e da energia, além da crise habitacional, inflamam ainda mais a população. Também em países como Itália, Bélgica, Portugal e Espanha estão acontecendo grandes movimentos de rua, muitos dos quais violentos.

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A Europa precisa achar um novo rumo. Porém, os políticos não sabem como fazê-lo e estão sem capacidade política para enfrentar a situação.

Certo é que toda esta crise desencadeará mudanças políticas e geopolíticas no continente.

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