"Tsunami azul": democratas conquistam Congresso e impõem derrota histórica a Trump
O presidente declarou que vai aceitar o resultado das eleições e que está disposto a negociar com os democratas

Trump não se pronunciou, mas famosos pediram ajuda
Reprodução/REUTERS
As apurações das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos continuam, mas já podemos afirmar que foi um verdadeiro tsunami azul no país, ou seja, a cor dos democratas, que já fizeram maioria na Câmara e no Senado.
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Os republicanos sofreram derrotas históricas em seus redutos eleitorais. No Texas, por exemplo, o democrata com pautas progressistas James Talarico venceu a corrida para o Senado. Desde 1988 que um democrata não ocupava uma vaga texana no Senado. E a derrota não se limitou ao Senado. A democrata Gina Hinojosa derrotou o atual governador republicano.
Outros estados tradicionalmente republicanos também mudaram de lado. Foi o caso da Carolina do Sul, onde, após trinta anos, foi eleita uma senadora democrata. No Kansas, após quase um século, os democratas levaram a cadeira, elegendo Adam Hamilton.Eleições inéditas também em estados como a Geórgia, que elegeu a primeira governadora negra da história dos Estados Unidos, Keisha Lance Bottoms, em um estado marcado pela luta pelos direitos civis.
No Michigan, foi eleito Abdul El-Sayed, o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.
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O presidente Donald Trump declarou que vai aceitar o resultado das eleições e que está disposto a negociar com os democratas.
Trump procurou se eximir da culpa pela derrota. Disse que, se sua foto estivesse na cédula, os republicanos teriam ganhado de lavada.
Trump também publicou críticas a aliados, como ao atual governador do Texas, Greg Abbott, que teria perdido por não preservar suas posições políticas anteriores.E também provocou: compartilhou uma foto de um boné vermelho — a cor dos republicanos — com a palavra VETO, uma alusão ao seu poder de veto a leis que podem ser aprovadas pelos democratas.
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A sociedade americana está muito descontente com sua perda de poder aquisitivo, a alta dos preços dos combustíveis e da energia, além da habitação e dos alimentos. Aquela história que conhecemos da conta que não fecha no fim do mês.
O conflito que Trump levou ao Irã é rechaçado pelos americanos, assim como sua política de guerra comercial, que levou ao aumento dos impostos de importação, provocando o encarecimento generalizado dos produtos para a população.
A política anti-imigração, executada de uma forma violenta pelo ICE desde que Trump assumiu a Casa Branca, também é malvista pela população.
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Enfim, foi uma grande derrota para Trump, mesmo levando em consideração que, desde 1936, o partido do presidente costuma perder espaço no Congresso nas eleições de meio de mandato. Isso aconteceu em 20 das últimas 22 eleições.
Agora, os Estados Unidos e o mundo se perguntam: como serão os próximos dois anos do governo Trump? Ele vai aprofundar ainda mais suas políticas ou o novo Congresso vai limitar suas decisões?
Este Congresso eleito pode pressionar pelo fim dos conflitos militares que gastam bilhões de dólares, abrir investigações contra o governo e bloquear a Casa Branca de fazer nomeações para cargos importantes, como ministros, embaixadores e também no Poder Judiciário.Uma situação difícil para Trump, mas ele ainda tem o poder de veto. Nos Estados Unidos, para derrubar um veto, é preciso dois terços dos votos das duas Casas. Uma maioria expressiva, difícil de ser conseguida.
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E o Brasil? Estamos atualmente com a pior relação da história com esta grande potência e parceira comercial.
O Palácio do Planalto não aceita essa nova doutrina americana para a América Latina, foi afetado pelas tarifas impostas por Trump e não participa do chamado Escudo das Américas, a política americana para combater o narcoterrorismo na região.As diferenças ideológicas entre os governos Lula e Trump são grandes. Agora, o Brasil segue atento aos próximos movimentos.
