O maior esforço de regeneração ambiental da história será suficiente?
Por Fabiano Porto (@fabiano.pporto)

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Uma boa notícia para o planeta. Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quinta-feira (29), revela que 252 milhões de hectares de ecossistemas estão em processo de restauração em 149 países. Uma área equivalente ao território do Cazaquistão e o maior esforço de regeneração ambiental já documentado pela humanidade.
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O estudo Nature's Comeback, desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), apresenta avanços importantes. Mas também uma contradição preocupante: enquanto trabalhamos para recuperar a natureza, continuamos destruindo ecossistemas em escala alarmante.
A conta que não fecha
Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), entre 2015 e 2019, pelo menos 100 milhões de hectares de terras saudáveis e produtivas foram degradados anualmente no planeta. É uma área equivalente ao território do Egito, comprometida a cada ano.
Outro levantamento, divulgado pela FAO em 2025, mostra que o mundo perdeu, em média, 10,9 milhões de hectares de florestas por ano entre 2015 e 2025.
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É importante observar que os 252 milhões de hectares representam áreas atualmente em processo de restauração, e não uma recuperação anual ou já concluída. Já os dados de degradação representam perdas anuais em períodos anteriores. Embora não possam ser simplesmente subtraídos, os números demonstram a dimensão do desafio que enfrentamos.
E existe um agravante: destruir uma floresta pode levar poucos dias, enquanto sua recuperação ecológica pode exigir décadas ou até séculos.
Regenerar com uma mão, destruir com a outra
"Não podemos esperar reparar a natureza com uma mão enquanto a destruímos com a outra", afirmou Astrid Schomaker, secretária executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, durante a divulgação do relatório.
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A declaração resume o grande paradoxo da sustentabilidade atual. Celebramos investimentos e projetos ambientais, mas ainda mantemos modelos econômicos que estimulam a degradação da natureza.
O novo estudo aponta que o compromisso global é restaurar aproximadamente 1 bilhão de hectares até 2030. Para alcançar essa meta, os investimentos anuais em regeneração precisam crescer dos atuais US$ 64 bilhões para US$ 296 bilhões.
Mas não basta investir na recuperação. Precisamos reduzir drasticamente as causas da destruição.
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Uma nova economia para regenerar
A regeneração ambiental não representa apenas uma necessidade ecológica, mas também uma extraordinária oportunidade econômica. Recuperar florestas, rios e solos significa proteger a produção de alimentos, garantir água, reduzir riscos climáticos e gerar empregos e renda.
Precisamos desenvolver modelos de negócios nos quais regenerar a natureza seja economicamente mais vantajoso do que destruí-la.
A boa notícia é que os resultados demonstram que a regeneração é possível e já acontece em grande escala. O problema não é apenas encontrar soluções, mas transformar nossa relação econômica e cultural com o planeta.
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Afinal, de que adianta recuperar milhões de hectares se continuamos degradando outros milhões todos os anos?
Será que estamos realmente construindo um futuro regenerativo ou apenas tentando reparar os danos de um modelo de desenvolvimento que insistimos em manter?
Fontes e referências
PNUMA, FAO e CDB (2026). Nature's Comeback: Scaling Ecosystem Restoration for People and Planet. Relatório e declarações divulgados em 29 de outubro de 2026. Consultar publicação oficial.
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UNCCD e Nações Unidas (2025). Indicadores globais de degradação de terras, referentes ao período de 2015 a 2019. Consultar relatório ODS 15.
FAO (2025). Global Forest Resources Assessment 2025. Dados de desmatamento global entre 2015 e 2025. Consultar publicação oficial.
