Victoria Prado

Quando uma criança aprende que sonhar grande não é para ela?

Histórias de outras pessoas e ajuda na escola podem ampliar o futuro que crianças e adolescentes conseguem imaginar

3 min

04/11/2026 17:19 • Atualizado há 2 horas

Quando uma criança aprende que sonhar grande não é para ela?

Conhecer novas possibilidades ajuda crianças a ampliar horizontes e planejar o futuro

IA

"O que você quer ser quando crescer?" A pergunta parece oferecer um mundo inteiro. Mas a criança responde com as possibilidades que conhece. Se nunca ouviu falar de uma profissão, é difícil imaginar esse trabalho para a própria vida. Antes de avaliar o tamanho de um sonho, vale descobrir o que essa criança teve a chance de conhecer.

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Uma pesquisa na Etiópia, país da África, testou uma ideia parecida. Famílias assistiram a vídeos com histórias de pessoas que viviam em comunidades parecidas com as suas e tinham melhorado de vida. Os pesquisadores queriam saber se essas histórias mudariam os planos das famílias e suas decisões sobre o futuro.

Cinco anos depois dos vídeos, as famílias que participaram da atividade tinham aumentado os investimentos na educação dos filhos e na agricultura. Esse resultado foi observado naquele lugar, com aquelas famílias. A descoberta ajuda a pensar no que oferecemos às crianças além do conselho para estudar.

O que me interessa nessa pesquisa é o fato de aquelas histórias parecerem próximas da vida das famílias. Conhecer alguém com uma vida parecida pode ajudar a imaginar um caminho que antes parecia distante. Por isso, vale pensar em quem apresentamos aos alunos e no que contamos sobre essas pessoas.

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Quando mostramos apenas a conquista, escondemos o caminho. Saber onde alguém encontrou dificuldade, quem ajudou e o que precisou aprender ajuda o estudante a pensar na própria vida. Uma história assim permite sair da admiração e começar a entender como dar um passo.

Chamo de futuro bloqueado a falta de chances de conhecer ou alcançar outros caminhos. Um jovem pode querer fazer faculdade e não saber como entrar. Há quem conheça o caminho e não consiga pagar o transporte. Confundir essas situações com falta de ambição nos afasta da ajuda de que cada jovem precisa.

Na Plann to Go Life, minha missão é ajudar crianças e adolescentes a sonhar grande e transformar planos em ações. Por isso, defendo que as histórias venham com ajuda para entender os próximos passos. Depois de conhecer uma possibilidade, o estudante precisa entender o que fazer e saber com quem falar.

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Uma visita, por exemplo, pode continuar na escola com a pesquisa sobre um curso. O professor pode ajudar a encontrar informações e discutir o que precisa ser aprendido. Se aparecer uma dificuldade para participar, será preciso procurar quem pode ajudar. O trabalho continua depois do encontro que despertou o interesse. Para a escola, é uma oportunidade de discutir quais histórias os alunos conhecem e o que ainda falta mostrar.

As edtechs, empresas que usam tecnologia na educação, podem reunir informações sobre cursos e ajudar professores a acompanhar de perto os projetos. Para saber se a ferramenta ajuda, precisamos ver o que o aluno passou a conseguir fazer. Uma ferramenta precisa ser fácil de entender e de usar também a quem divide um aparelho com a família.

Também precisamos ouvir os jovens. Um estudante pode querer abrir um negócio, fazer faculdade ou trabalhar com arte. Pode mudar de ideia ao conhecer melhor essas opções. Oferecer experiências serve para ampliar a liberdade de escolher, sem escolher antes qual seria o sonho certo.

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Na próxima vez que uma criança responder à pergunta sobre o futuro, vale deixar a conversa continuar. Perguntar como conheceu aquela profissão pode revelar tanto um interesse quanto uma oportunidade de apresentar outros caminhos. O adulto que escuta passa a saber melhor que ajuda oferecer e o que ainda pode apresentar à criança.