Economia

Alta do dólar afeta o bolso de todos os brasileiros; entenda os motivos

Mesmo para quem ganha em Real, não investe, e não tem contato com dólar, a alta afeta preço da comida e transportes

4 min

26/10/2026 12:29 • Atualizado há 1 hora

Alta do dólar afeta o bolso de todos os brasileiros; entenda os motivos

IA

A reação do mercado financeiro no primeiro pregão após o resultado das urnas, neste domingo (25), costuma ser rápida, mas a sensação de quem vive de salário mínimo ou ordenado fixo, muitas vezes é de distanciamento.Para o brasileiro que não compra ações, não faz viagens ao exterior e mal consegue fechar as contas do mês, a cotação do dólar na tela da televisão pode parecer um assunto restrito à Faria Lima.

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Na prática, a realidade é contrária: o dólar funciona como a régua global de preços para energia, transporte e matérias-primas industriais e agropecuárias. Quando o Real perde valor frente à moeda norte-americana, como ocorreu nesta segunda-feira (26), cria-se uma engrenagem invisível que encarece o custo de vida nas periferias e bairros antes mesmo que o consumidor perceba.

O prato de comida: do trigo importado à ração animal

O primeiro lugar em que o trabalhador sente a alta da moeda americana é na gôndola do supermercado e no balcão da padaria. Isso por que os itens produzidos no campo dependem de insumos importados (e pagos em dólar).

O pãozinho e as massas são os principais a serem afetados. O Brasil importa mais da metade do trigo consumido no país. Como o grão é cotado internacionalmente em dólares, qualquer oscilação é repassada para os moinhos e, em seguida, para as padarias. O pão francês, o macarrão e os biscoitos sobem logo nos primeiros dias.

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Outro item é a cadeia da soja, que indiretamente também aponta para as carnes. O Brasil é um dos maiores produtores de grãos do planeta, mas milho e soja são commodities com preços atrelados ao mercado internacional, ou seja, em dólar. Com a moeda estrangeira valorizada, o produtor prioriza a exportação, o que reduz a oferta interna ou equipara o preço nacional ao externo. Como soja e milho alimentam aves, porcos e gado, a proteína animal, o leite e o óleo de cozinha encarecem em cadeia.

E, por último, um insumo essencial, os fertilizantes. No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no campo vêm de fora. O plantio das lavouras fica mais caro em reais, pesando no custo de hortaliças, feijão e frutas nas feiras livres.

Transporte e frete: o combustível que move o país

O petróleo é cotado em dólar nos mercados globais, e o Brasil ainda depende da importação de derivados refinados, como diesel e gasolina.

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Mais de 60% de toda a carga de mercadorias no Brasil circula pelas rodovias. Quando o diesel sobe nas refinarias, o preço do frete rodoviário é recalculado. Esse encarecimento incide sobre roupas, móveis, materiais de construção e itens de limpeza. Além disso, o diesel mais alto pressiona as viações de ônibus urbanos e intermunicipais por reajustes nas tarifas, atingindo diretamente o trabalhador que depende do transporte público para chegar ao emprego.

Remédios e farmácia: matéria-prima importada

A indústria farmacêutica nacional depende de matérias-primas do exterior: cerca de 90% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA), usados inclusive na fabricação de medicamentos genéricos essenciais, vêm de países como Índia e China e são faturados em moeda estrangeira.

Com o real desvalorizado, os laboratórios nacionais enfrentam custos mais altos de produção. Esse peso se traduz em pressão direta nos preços de remédios de uso contínuo para hipertensão, diabetes e analgésicos básicos.

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Juros e crédito: a conta que chega parcelada

Quando o dólar empurra para cima os preços dos alimentos e da energia, os índices oficiais de inflação disparam. A principal ferramenta do Banco Central para combater esse avanço de preços é elevar ou manter alta a taxa básica de juros (Selic).

Para a família que já recorre ao cartão de crédito para fechar o orçamento, o resultado é cruel:

  • Os juros do rotativo do cartão e do cheque especial ficam ainda mais proibitivos.
  • O crediário no comércio de eletrodomésticos encarece, inviabilizando a troca de um fogão ou geladeira quebrados.
  • Financiamentos de imóveis e veículos têm parcelas mais pesadas para novos contratos.

O saldo final para o cidadão sem reservas financeiras é a perda direta de poder de compra: com o mesmo contracheque, o carrinho de compras sai mais vazio e as contas indispensáveis passam a consumir uma fatia cada vez maior do salário.

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