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Aluguel comercial sobe 11,36% em Curitiba; veja bairros mais caros

Levantamento FipeZAP mostra diferenças nos preços entre bairros; especialista explica o que avaliar antes de alugar.

5 min

29/10/2026 15:11 • Atualizado há 1 hora

Aluguel comercial sobe 11,36% em Curitiba; veja bairros mais caros

Preço médio do aluguel comercial em Curitiba chegou a R$ 46,34 por metro quadrado em agosto de 2026, segundo o FipeZAP.

Foto: Isabella Mayer/SECOM

O aluguel de imóveis comerciais em Curitiba subiu 11,36% nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZAP Comercial de agosto de 2026. O levantamento mostra que o preço médio anunciado para locação de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadrados chegou a R$ 46,34 por metro quadrado na capital paranaense.

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A valorização supera a média nacional de 11,21% registrada nas dez cidades acompanhadas pelo índice. Somente entre janeiro e agosto deste ano, os aluguéis comerciais em Curitiba acumularam alta de 12,33%.

Apesar do aumento dos preços, especialistas alertam que escolher um imóvel apenas pelo aluguel mais baixo pode representar um custo maior para empresas, lojas, clínicas e restaurantes. Reformas, adaptações, dificuldades de acesso e problemas de infraestrutura podem comprometer o orçamento antes mesmo da abertura do negócio.

Quais bairros têm os aluguéis comerciais mais caros de Curitiba?

O levantamento de agosto do FipeZAP revela diferenças significativas entre os valores anunciados nos bairros da capital.

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O Bigorrilho aparece com o maior preço médio entre os bairros apresentados, de R$ 67,84 por metro quadrado. Em seguida estão Batel, com R$ 60,03, e Água Verde, com R$ 55,50.

Na outra ponta, o Centro registra média de R$ 30,83 por metro quadrado, menos da metade do valor anunciado no Bigorrilho.

As diferenças também aparecem na valorização dos imóveis. Nos 12 meses encerrados em agosto, os preços anunciados no Bigorrilho subiram 36,6%, enquanto o Boqueirão registrou aumento de 17,7%. No Batel, a alta foi de 12,5%.

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Os dados consideram anúncios de imóveis, não necessariamente os valores finais negociados nos contratos.

Por que alguns imóveis comerciais custam mais?

Segundo Sergio Zimmermann, diretor-executivo da Estruturar Imóveis Comerciais, empresa com 18 anos de atuação em gestão e intermediação, o preço do aluguel deve ser analisado em conjunto com as condições oferecidas pelo imóvel.

“Fluxo de pessoas e veículos, visibilidade, facilidade de acesso, estacionamento e infraestrutura compatível com a atividade estão entre os fatores que influenciam a escolha. Quando o imóvel não atende a essas necessidades, a economia inicial pode desaparecer em obras, adaptações e despesas acumuladas antes da abertura”, afirma.

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Zimmermann explica que imóveis próximos a vias movimentadas, terminais de transporte e regiões de grande circulação podem oferecer vantagens para estabelecimentos que dependem do atendimento presencial.

No Batel, por exemplo, a concentração de edifícios corporativos, restaurantes, hotéis e serviços contribui para a procura por salas comerciais. Já na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), a proximidade com rodovias e o acesso logístico são fatores importantes para empresas que precisam transportar mercadorias.

O especialista também aponta a infraestrutura como um dos motivos para a diferença nos preços. Estacionamento, acessibilidade, segurança, elevadores e sistemas de climatização podem diminuir a necessidade de investimentos por parte do locatário.

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De acordo com Zimmermann, imóveis com essas características podem apresentar aluguéis entre 20% e 30% superiores aos de alternativas menos estruturadas. Ele ressalta, porém, que esses percentuais são referências ilustrativas, e não o resultado de um levantamento estatístico. As diferenças variam conforme a localização e o tipo de atividade.

Centro concentra locações comerciais em Curitiba

Embora apresente um dos menores preços médios por metro quadrado entre os bairros analisados pelo FipeZAP, o Centro continua concentrando uma parcela expressiva das locações comerciais da cidade.

Dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), citados pelo especialista, mostram que a região central respondeu por 26,8% dos contratos comerciais em maio de 2026 e 25% em junho.

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Em julho, a participação do Centro foi de 17,5%, seguido pelo Portão, com 8,3%, e Água Verde, com 7,5%.

O movimento também ocorre em meio às iniciativas de revitalização da região central. O programa Curitiba de Volta ao Centro prevê incentivos econômicos, fiscais e construtivos para estimular a recuperação de imóveis e a instalação de atividades comerciais.

Apesar disso, Zimmermann ressalta que o desempenho de um ponto comercial depende de fatores específicos, como o perfil do público, o estado de conservação do imóvel e a circulação de consumidores no entorno.

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Os dados de participação nos contratos indicam onde as locações foram realizadas, mas não significam, necessariamente, que esses bairros tenham os aluguéis mais caros ou a maior procura proporcional à oferta.

Quando vale a pena pagar um aluguel mais caro?

Para Zimmermann, um aluguel mais elevado pode ser financeiramente vantajoso quando o imóvel oferece condições para aumentar o faturamento ou reduzir despesas de funcionamento.

Uma simulação apresentada pelo especialista considera uma empresa que paga R$ 6 mil adicionais por mês para ocupar um imóvel melhor localizado.

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Se o novo endereço proporcionar R$ 60 mil a mais em vendas mensais e a margem sobre esse faturamento adicional for de 15%, a empresa obteria R$ 9 mil de resultado incremental. Depois de descontar os R$ 6 mil do aluguel, restariam R$ 3 mil por mês, equivalentes a R$ 36 mil em um ano.

O cálculo é hipotético e não considera outros custos e efeitos tributários que também podem influenciar o resultado.

A lógica, segundo o especialista, é comparar quanto a empresa gastará a mais com o espaço e quanto poderá ganhar ou economizar com a mudança.

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O que avaliar antes de alugar um imóvel comercial?

Além do valor mensal, o empresário precisa considerar despesas que nem sempre aparecem no anúncio. Entre os principais cuidados recomendados pela Estruturar estão:

  1. Localização e público: avaliar o fluxo de consumidores, a facilidade de acesso, o estacionamento e a logística.
  2. Custo total de ocupação: calcular condomínio, IPTU, garantias, reformas, adaptações, licenças e eventuais meses sem faturamento.
  3. Documentação: verificar matrícula, habite-se, zoneamento e condições para obtenção das licenças necessárias.
  4. Infraestrutura: conferir instalações elétricas, acessibilidade, climatização e adequação do imóvel à atividade.
  5. Condições contratuais: considerar os custos de entrada, permanência e devolução do imóvel.

O especialista reforça que o aluguel mais barato não representa, obrigatoriamente, o menor custo para o negócio.

“A decisão não deve partir apenas do valor anunciado. Para o locatário, a questão é avaliar quanto custará ocupar o imóvel e se ele oferece condições para a operação funcionar sem comprometer o caixa. A escolha precisa considerar o conjunto de despesas e benefícios, porque o aluguel mais baixo na entrada nem sempre resulta no menor custo ao longo do contrato”, conclui Zimmermann.