Economia

Anfavea eleva projeção de vendas, mas exportações despencam

Emplacamentos em setembro atingiram 281,4 mil unidades, o maior patamar mensal desde 2014

3 min

07/10/2026 18:08 • Atualizado há 17 horas

Anfavea eleva projeção de vendas, mas exportações despencam

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Foto: Band Paraná

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou mais uma vez para cima as projeções de vendas e produção de veículos para o encerramento de 2026. O reajuste decorre do ritmo aquecido do mercado interno ao longo do terceiro trimestre. Em contrapartida, as exportações seguem em forte retração, levando a entidade a cortar novamente as estimativas de embarques para o exterior.

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A nova expectativa é de que o mercado brasileiro encerre o ano com 3,1 milhões de autoveículos emplacados — patamar que o país não registrava desde 2014. Caso se confirme, o volume representará uma expansão de 15,2% em relação a 2025, salto considerável frente aos 2,7% estimados no começo do ano. A alta é puxada por automóveis e comerciais leves (+16,4%), enquanto o segmento de pesados (caminhões e ônibus) deve amargar queda de 6,5%.

No chão de fábrica, a previsão de produção subiu de 5,8% para 6,7%, alcançando mais de 2,8 milhões de unidades em 2026, melhor resultado desde 2019.

Alerta sobre importações e montagem de kits

Apesar dos recordes internos, a entidade adota cautela diante da perda de fôlego no comércio exterior e do perfil da produção local.

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"Não há como não comemorar resultados tão expressivos do mercado interno, retomando patamares não verificados há mais de uma década. Isso ajuda a impulsionar a produção e os empregos neste momento. Mas é preciso ficar atento às nuances não tão positivas desses resultados. A nossa balança comercial sofre com a alta das importações e a queda expressiva das exportações. Além disso, boa parte da alta na produção se dá por veículos parcialmente desmontados, os chamados kits SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida.", diz Igor Calvet, presidente da Anfavea. Das 173 mil unidades a mais fabricadas entre janeiro e setembro na comparação anual, apenas 50 mil correspondem à produção local plena. As outras 123 mil decorrem da montagem de kits CKD e SKD importados.

Eletrificados e incentivos puxam corrida às concessionárias

Com 281,4 mil veículos emplacados em setembro, o setor teve o melhor mês de vendas desde dezembro de 2014. O destaque foi o segmento de automóveis de passeio, com salto de 22,5% no acumulado do ano (+350 mil unidades).

Dois motores impulsionaram essa arrancada:

  • Programa Carro Sustentável: adicionou 84 mil emplacamentos no segmento de entrada.
  • Eletrificados: somaram 242 mil novos veículos — os modelos 100% elétricos triplicaram de volume no período. Ao todo, os eletrificados responderam por 69% da expansão de vendas e já abocanham 20,1% de todos os emplacamentos de leves no país.

Em pesados, o ritmo de retomada segue mais lento: as vendas acumulam quedas de 3,8% em caminhões e 4,4% em ônibus até setembro.

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Tombo nas exportações e déficit recorde

No front externo, as projeções apontam queda de 17,7% nas exportações até o final do ano. De janeiro a setembro, os embarques caíram 23%, somando 334 mil unidades e estacionando abaixo de 40 mil mensais há seis meses.

O principal freio vem da Argentina, que comprou quase 100 mil veículos a menos do Brasil em 2026, além do ganho de mercado de fabricantes chineses e mexicanos na América do Sul.

Com exportações estagnadas e importações em alta acelerada (+30,4%, atingindo 463,9 mil unidades no ano), a balança comercial do setor opera com déficit expressivo. Veículos vindos da China concentram 55% de tudo o que entra no Brasil e já respondem por 11,3% de todas as vendas nacionais.

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