Brasil e Estados Unidos têm Superquarta com rumos opostos nos juros
Bancos centrais do Brasil e EUA tomam rumos opostos diante de sinais divergentes de inflação e economia

Nesta quarta-feira (16), Brasil e Estados Unidos definem suas respectivas taxas básicas na chamada “Superquarta”. Os dois bancos centrais devem seguir direções opostas: enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) tende a reduzir a Selic, o Federal Reserve (Fed) se prepara para elevar os juros americanos pela primeira vez desde julho de 2023.
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Cenário nos Estados Unidos
O mercado financeiro já precifica com cerca de 90% de probabilidade uma alta de 0,25 ponto percentual nos EUA, o que levará os juros para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. O aperto monetário marcará a primeira elevação sob a presidência de Kevin Warsh, que assumiu o comando da autoridade monetária em maio.
A aposta em uma postura mais dura ganhou força nos últimos dias devido a três fatores centrais:
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- Discurso em Jackson Hole: Sinalizações mais rígidas de Warsh sobre o controle de preços;
- Inflação resistente: Dados do índice de preços ao consumidor de agosto acima do esperado;
- Pressão energética: A disparada do barril de petróleo para além dos US$ 100, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Expectativa para o Brasil
No cenário doméstico, a projeção amplamente majoritária aponta para um alívio monetário: um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano.
O movimento encontra respaldo no comportamento recente dos preços e no ritmo da economia:
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- Deflação recente: O IPCA de agosto recuou 0,32%, influenciado sobretudo pela queda nas tarifas de energia elétrica;
- Desaceleração da atividade: O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre apontou perda de tração no mercado interno, evidenciada pela retração no consumo das famílias.
O que esperar até 2027
As projeções desenham trajetórias bem distintas para a sequência dos ciclos. No Brasil, o consenso é de que a Selic encerre 2026 nos 13,75%, com espaço para novas rodadas de afrouxamento apenas em 2027, quando a taxa pode convergir para 12%.
Já nos EUA, analistas preveem mais uma alta de 0,25 ponto ainda este ano, situando os juros entre 4% e 4,25%, seguida por mais dois aumentos ao longo de 2027, atingindo a faixa de 4,50% a 4,75%.
