Economia
Rádio Bandeirantes

Crise nos Correios: greve e rombo bilionário aceleram colapso

Com rombo superior a R$ 5,5 bi e enxurrada de ações trabalhistas, estatal enfrenta greve em meio à bancarrota.

2 min

22/09/2026 11:50 • Atualizado há 7 horas

Crise nos Correios: greve e rombo bilionário aceleram colapso

Enquanto o Tribunal Superior do Trabalho (TST) adiou para a próxima quinta-feira o julgamento sobre a abusividade da greve dos Correios — iniciada no último dia 10 —, a estatal avança em ritmo acelerado para o que analistas classificam como um processo de colapso financeiro e operacional. A paralisação ocorre em um momento de bancarrota da empresa, que acumula números alarmantes e enfrenta forte concorrência do setor privado.

Continua depois da publicidade

No primeiro semestre deste ano, a estatal registrou um rombo superior a R$ 5,5 bilhões, resultado da soma de R$ 3,2 bilhões perdidos nos três primeiros meses e mais R$ 2,4 bilhões no trimestre seguinte. O cenário de terra arrasada fiscal repete o padrão de 2025, ano em que os Correios já haviam amargado um prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões.

Para especialistas e críticos da gestão, a crise não é apenas resultado da paralisação dos funcionários, mas de um modelo de administração ineficiente e da perda constante de relevância de mercado frente a concorrentes privados altamente produtivos. A sustentação da estatal tem dependido de aportes financeiros públicos, gerando críticas sobre o uso de recursos dos pagadores de impostos para manter a empresa operando "por aparelhos".

Outro fator de forte pressão sobre o caixa dos Correios é a enxurrada de processos na Justiça do Trabalho. A companhia tem enfrentado uma média de 154 novas ações trabalhistas por dia — o equivalente a cerca de seis processos por hora ao longo de doze meses. Condenações judiciais recentes já subtraíram mais de R$ 1 bilhão dos cofres da empresa, agravando uma hemorragia financeira interna que drena recursos vitais para a operação.

Continua depois da publicidade

Enquanto a liderança sindical e a gestão da estatal mantêm o confronto jurídico e trabalhista, o futuro da empresa permanece incerto. Críticos apontam que, se fosse uma companhia privada, a estatal já teria sido liquidada ou fechado as portas, transformando o atual cenário em um teste definitivo sobre a viabilidade de sobrevivência do modelo de Correios gerido pelo Estado.