Desperdício de alimentos no varejo custa R$ 42,1 bilhões por ano no Brasil
No comércio alimentar e farmacêutico, o vencimento de prazos de validade está entre as principais causas de prejuízos

Magnific
O desperdício de produtos e as falhas operacionais na gestão de estoques continuam representando um dos maiores desafios para o comércio no país. Nova pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (ABRAPPE) aponta que o montante perdido anualmente pelo varejo nacional alcançou R$ 42,1 bilhões, o que corresponde a um índice médio de 1,65% sobre o faturamento do setor.
Continua depois da publicidade
No comércio alimentar e farmacêutico, o vencimento de prazos de validade figura entre as principais causas de quebras operacionais e de prejuízos diretos à margem de lucro das empresas. A permanência de mercadorias vencidas nas gôndolas acarreta impactos financeiros expressivos e expõe os estabelecimentos a graves desdobramentos jurídicos e regulamentares.
O impacto financeiro nas lojas
Segundo Michel Jasper, especialista e executivo do setor, a perda por vencimento atua como um ralo financeiro silencioso nas operações comerciais. Em uma loja típica de mil metros quadrados com faturamento mensal de R$ 2,1 milhões, a ausência de um monitoramento rigoroso provoca prejuízos de aproximadamente R$ 105,7 mil por ano.
A adoção de processos automatizados no chão de loja e o uso estrito da metodologia PVPS (Primeiro que Vence, Primeiro que Sai) viabilizam a recuperação de grande parte desse montante. Com essas medidas, o prejuízo anual pode ser reduzido significativamente, protegendo a rentabilidade do negócio.
Continua depois da publicidade
Riscos legais e administrativos
Sob a ótica jurídica, a comercialização ou a exposição de itens fora do prazo de validade configura crime contra as relações de consumo, conforme estabelece a Lei nº 8.137/90. Os responsáveis pelos estabelecimentos estão sujeitos a penas de detenção de dois a cinco anos.
Paralelamente, órgãos de fiscalização como o Procon e a vigilância sanitária aplicam sanções administrativas severas, que incluem multas milionárias, além da apreensão e do descarte compulsório de todos os lotes afetados. Caso ocorram danos à saúde do consumidor, a empresa responde de forma civil e objetiva, enfrentando reparações judiciais e um desgaste profundo na reputação da marca.
Caminhos para a prevenção
Entre as origens mais comuns para o problema estão as falhas no recebimento de mercadorias, as compras excessivas e a ausência de rodízio adequado no estoque. A implementação de ferramentas digitais com leitores de código de barras em dispositivos móveis permite antecipar ações de rebaixa de preço e liquidação preventiva, preservando a eficiência financeira e a integridade da operação.
Continua depois da publicidade
