El Niño pode afetar produção rural e pressionar preço dos alimentos no Vale
Mudanças nas temperaturas e irregularidade das chuvas preocupam agricultores da região.

O avanço do fenômeno El Niño pode trazer impactos para a produção rural do Vale do Paraíba. A alteração no regime de chuvas e nas temperaturas preocupa agricultores, que precisam monitorar o clima para reduzir possíveis perdas no campo.
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O fenômeno El Niño ganha força no Pacífico Equatorial sob um cenário climático inédito, no momento em que a superfície das águas marítimas do planeta completa 100 dias consecutivos de temperaturas médias em patamares recordes neste mês de setembro.
Em São José dos Campos, o produtor rural Basílio Panichek acompanha diariamente as condições climáticas. Há mais de 30 anos trabalhando no campo, ele afirma que percebe diferenças significativas no comportamento das temperaturas em comparação com o início da atividade.
Foi uma diferença bastante significativa do que é hoje para 32 anos atrás. Antes de ontem estava um frio danado e, provavelmente, daqui dois ou três dias vem um solzão escaldante. A planta já sente isso também, explica.
Diariamente, a propriedade produz entre 300 e 400 maços de hortaliças, como cebolinha, salsinha e rabanete. Também são cerca de 20 dúzias de alface por dia, destinadas a atacadistas da região. Beterraba, pimentão e couve também fazem parte da produção.
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Para o agricultor, as mudanças bruscas no tempo podem representar perdas. O excesso de chuva, seguido por períodos de calor intenso, favorece o surgimento de doenças e pode comprometer o desenvolvimento das plantas.
El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões atmosféricos em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região e a intensidade do fenômeno.
No Sudeste, incluindo o estado de São Paulo, uma das principais consequências pode ser o aumento das temperaturas. Já em relação às chuvas, o fenômeno costuma provocar irregularidade na distribuição da precipitação, com períodos de chuva mais intensa intercalados com momentos de estiagem.
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Para quem trabalha diretamente com culturas de ciclo curto, como hortaliças, as alterações podem ser ainda mais preocupantes. A produção precisa se adaptar rapidamente às condições do tempo, mas nem sempre há tempo ou recursos para evitar os prejuízos.
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