Juliana Rosa: PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, mas geopolítica preocupa
Colunista aponta que resultado ficou dentro do esperado pelo mercado, mas dados do segundo semestre mostram estagnação da economia

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou nesta terça-feira (03) que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025. A colunista de economia da BandNews FM, Juliana Rosa, aponta que o resultado, que ficou em linha com as previsões do governo e do mercado financeiro, representa uma clara desaceleração em relação ao ano anterior, quando a economia havia expandido 3,4%.
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Segundo a jornalista, o dado acende um alerta sobre o ritmo da atividade econômica, que demonstrou estagnação na segunda metade do ano, e sobre o futuro da taxa de juros, agora pressionada por um novo cenário de risco internacional, por causa do conflito no Oriente Médio.
Juliana diz que o resultado evidencia os efeitos da taxa de juros elevada, que impactou diretamente o consumo das famílias e os investimentos das empresas.
Economia perde fôlego no segundo semestre
A análise setorial dos dados do IBGE mostra que a indústria e os investimentos foram os mais afetados pelo aperto monetário. No quarto trimestre de 2025, os investimentos das empresas registraram uma queda acentuada de 3,5%, enquanto a indústria também apresentou recuo. O comércio, mesmo em um período que sazonalmente conta com datas importantes como a Black Friday e o Natal, também teve queda nas vendas, e a construção civil perdeu força.
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Por outro lado, os setores de serviços e a agropecuária continuaram a ser os principais motores da economia, sustentando o resultado positivo no acumulado do ano. No entanto, o consumo das famílias, um importante pilar da atividade econômica, parou de crescer no final do ano, refletindo um maior aperto no orçamento dos brasileiros.
O que esperar daqui para frente?
O cenário que se desenhava era de alívio. Com a economia crescendo em um ritmo mais lento e a inflação mostrando sinais de controle, caindo de patamares de 5,5% para cerca de 4%, o caminho parecia livre para o Banco Central iniciar o ciclo de corte da taxa básica de juros, a Selic.
Contudo, a recente escalada de tensões no Oriente Médio, com o ataque ao Irã, trouxe um "banho de água fria" para as expectativas. A disparada do preço do petróleo e a forte alta do dólar, que passou de R$ 5,16 para R$ 5,23, criam uma nova pressão sobre a inflação, especialmente nos preços dos combustíveis e alimentos.
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Segundo apuração da Juliana Rosa, essa incerteza externa coloca em dúvida o espaço para o corte de juros na próxima reunião do Banco Central, em março. A expectativa de uma pequena queda de 0,25 pontos percentuais pode ser frustrada, e há risco de não haver corte algum, a depender do desenrolar do conflito.
