Desemprego em 5,2% pode travar queda da Selic em 2027, alertam analistas
Mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo, mas encarece o setor de serviços e limita espaço para corte de juros

Foto: Agência Brasil
O mercado de trabalho brasileiro registrou taxa de desemprego de 5,2% — patamar muito próximo da mínima histórica (5,1%) —, trazendo um efeito duplo para a economia nacional. Se por um lado a renda em alta e a massa salarial recorde sustentam o consumo das famílias, por outro criam um sinal de alerta para a inflação, especialmente no setor de serviços.
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De acordo com analistas ouvidos pela reportagem, esse cenário deve limitar a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mantendo a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados ao longo de 2027, com projeções que variam entre 11,5% e até 14,5%.
Inflação de serviços no radar do Banco Central
A escassez de mão de obra disponível pressiona os custos salariais, encarecendo os serviços — segmento historicamente mais rígido para ceder às metas de inflação. "O mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo, mas dificulta a desaceleração da inflação de serviços, onde os salários pesam bastante nos custos. Com 5,2% de desemprego, dólar pressionado e incertezas fiscais, o Copom tem menos espaço para acelerar cortes", avalia Gustavo Assis, CEO da Asset. A casa projeta inflação entre 4,3% e 4,7% para 2027, com a Selic fechando o ano entre 11,75% e 12,25%.
Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, reforça que a expansão econômica exigirá saltos de produtividade: "Com menos trabalhadores disponíveis, a demanda pressiona os preços se a oferta não acompanhar. Esse quadro, somado aos juros nos EUA e às questões fiscais domésticas, exige prudência do Banco Central", afirma.
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Risco fiscal e impacto no crédito
Além da dinâmica de salários, os analistas apontam que as incertezas fiscais no pós-eleição e o cenário externo sustentam juros longos altos, encarecendo o crédito e retraindo o investimento produtivo.
Uma das leituras mais cautelosas vem de André Matos, CEO da MA7 Capital, que vê o dado de emprego como um reflexo defasado. "A massa de salários cresceu quase 5%, mas as famílias já comprometem cerca de 29% da renda com dívidas. Com juros altos por mais tempo, o emprego vai desacelerar. Projetamos inflação entre 4,8% e 5,2% e a Selic entre 13,75% e 14,5% ao fim de 2027. Nesse cenário, o investimento produtivo quase não cresce e o PIB tende a ficar abaixo de 1%", alerta Matos.
Por outro lado, Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca que a definição da política fiscal é o que destravará os aportes privados: "Mesmo com uma redução gradual da Selic, os juros longos continuam altos se o mercado exigir prêmio de risco pela dívida pública. Um sinal fiscal firme pode reduzir o custo de capital e reativar investimentos", pontua.
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