Economista Roberto Lui Troster analisa o estresse financeiro pós-eleição
Especialista classifica queda da B3 como 'overshooting', cobra gesto imediato e traduz os impactos para o trabalhador

Agência Brasil
A abertura dos mercados nesta segunda-feira (26) posterior à confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada por forte volatilidade, com a paralisação das negociações na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) por dois circuit breakers consecutivos e a Bolsa abrindo em queda de 16,5%, enquanto o dólar registrou picos de R$ 5,90 antes de se acomodar próximo a R$ 5,48.
Continua depois da publicidade
Em entrevista ao Manhã Bandeirantes, o economista Roberto Luis Troster apresentou um diagnóstico detalhado da reação dos agentes financeiros, desmistificou o impacto do mercado no dia a dia da população e traçou os passos necessários para a estabilização econômica.
Reação dos mercados e as ações de urgência no Executivo
A abertura das negociações nesta segunda-feira pós-eleição foi marcada por forte estresse, com dois circuit breakers na B3, queda de 16,5% no Ibovespa e o dólar atingindo R$ 5,90.
Segundo o economista Roberto Luis Troster, trata-se de um movimento clássico de overshooting, no qual os agentes reagem com exagero e especulação de curto prazo frente às incertezas políticas.
Continua depois da publicidade
Com o câmbio já recuando para a faixa de R$ 5,40 no decorrer da manhã, a expectativa é que o pânico ceda espaço ao ajuste gradual, fazendo a retração da Bolsa diminuir para cerca de 10% até o fim do pregão.
Para estancar a volatilidade ainda hoje, Troster defende a confirmação ou vazamento oficial do novo ministro da Fazenda e a publicação de uma "Carta ao Brasil 2.0", reeditando o gesto de 2002 que gerou a maior queda diária do dólar na história.
Além disso, atos administrativos imediatos do Banco Central e do Tesouro — como a revisão de impostos sobre o crédito e o fim da moeda remunerada — podem ser editados hoje sem depender do Congresso.
Continua depois da publicidade
Reformas estruturais e a tradução do estresse no bolso da população
Para o horizonte de mandato, a contenção da crise exigirá reformas profundas. Troster alerta para a rigidez do orçamento de 1988, cujas despesas obrigatórias saltaram de 37% para quase 100%.
Outro ponto crítico é a conta de juros da dívida pública, que somou mais de R$ 1 trilhão no último ano — valor 20 vezes superior ao déficit primário de R$ 50 bilhões.
Na vida real, essa paralisia afeta o cidadão pelo canal do crédito: a falta de confiança eleva as taxas do cartão de crédito e do cheque especial corporativo (que salta de 24% a.a. para 320% a.a. na inadimplência).
Continua depois da publicidade
Afeta também o canal do investimento real, engavetando a construção de novas fábricas e congelando a geração de empregos.
Ilustrando essa distorção, o economista define o sistema financeiro brasileiro como uma "carroça com GPS", combinando a tecnologia do Pix com uma fila de 84 milhões de brasileiros negativados.
