Macroeconomia

Taxas de juros fecham em leve queda com possível nomeação para Fazenda no radar

Antes do fim da tarde, todos os vencimentos da curva renovaram máximas e o dólar superou o patamar de R$ 5,40

3 min

29/10/2026 18:07 • Atualizado há 1 hora

Taxas de juros fecham em leve queda com possível nomeação para Fazenda no radar

Projeções econômicas indicam inflação maior e queda de juros em 2026

Agência Brasil

O ceticismo sobre as sinalizações para a política fiscal do quarto mandato do presidente Lula manteve os juros futuros de prazos mais longos pressionados em boa parte da sessão desta quinta-feira (29) conferindo inclinação à curva a termo. A recomposição de prêmios, porém, foi perdendo força rumo ao final da sessão, com expectativas sobre quem será o novo ministro da Fazenda.

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As taxas longas primeiro desaceleraram a alta e fecharam em leve queda, após a CBN noticiar no fim da tarde que Lula tem programada uma viagem ao Piauí, com o objetivo de convidar pessoalmente o governador reeleito Rafael Fonteles (PT) para comandar a Fazenda. Fontes disseram à rádio que o presidente e Fonteles se reunirão entre terça, 3, e quarta-feira, 4, para decidir sobre a participação do governador no Executivo.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 cedeu de 14,408%, no ajuste da véspera, a 14,325%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa a 14,745%, vindo de 14,824% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 caiu de 15,072% a 15,050%.

"Dentre os nomes horríveis, esse é dos menos piores. Compra tempo", avaliou o economista de uma grande tesouraria à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Entre outras opções ventiladas recentemente na imprensa, estariam o vice-presidente Geraldo Alckmin - que, em sua visão, é fraco mesmo dentro de seu partido -, o atual comandante da pasta, Dario Durigan, e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, que já negou ter sido sondado para o cargo.

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O Piauí ganhou o selo de "bom pagador" do Tesouro Nacional e reduziu o montante da dívida em relação à receita corrente líquida durante a gestão de Fonteles como secretário da Fazenda do Estado, entre 2015 e 2022.

Antes do alívio ao fim da tarde, todos os vencimentos da curva renovaram máximas e o dólar superou o patamar de R$ 5,40, tendo como pano de fundo o desconforto com a falta de nomeações para a equipe econômica e novas declarações de integrantes do governo sobre gastos sociais. No X, por exemplo, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que "quem está defendendo que Lula faça ajuste fiscal, cortando gastos em políticas sociais, não entendeu nada do que foi essa eleição. O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular."

"Os players entendem que a política fiscal permanecerá parecida com a dos últimos quatro anos, o que exige uma política monetária contracionista", afirma o gestor de portfólio da Heritage Capital Partners, Eduardo Cohn, o que, para ele, está por trás da movimentação dos DIs ao longo da semana pós-eleição.

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Embora nesta quinta não tenha contado com gatilhos específicos de piora, Cohn menciona outras notícias que contribuíram para o clima negativo, como a projeção do Instituição Fiscal Independente (IFI) de que a dívida bruta do governo geral irá atingir mais de 124% do PIB em dez anos, considerando uma taxa neutra de juros de 6,1%.

A mudança de variáveis no cenário, de acordo com o gestor, não permite mais que o Banco Central reduza a Selic na reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom), e a taxa deve ser mantida nos atuais 13,75% ao ano. E, para 2027, a expectativa é de um ciclo de aperto.

Essa percepção também tem ficado visível nas apostas do mercado para a trajetória dos juros. Nos cálculos do economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano, a precificação da curva futura aponta 90% de chance de manutenção da Selic em novembro, ante 10% de redução de 0,25 ponto.