Ueno Bank simulou venda de carteira de US$ 74 mi com dinheiro do próprio banco, diz MP
Banco digital foi dissolvido pelo Banco Central do Paraguai; caso já provocou a renúncia do presidente Santiago Peña

Cliente diante de agência do Ueno Bank, instituição paraguaia, fechada nesta terça-feira (3)
REUTERS/Cesar Olmedo
O Ministério Público do Paraguai revelou que o Ueno Bank maquiou a venda de uma carteira de créditos avaliada em US$ 74,4 milhões. Segundo os investigadores, a transação envolvendo empresas ligadas à própria instituição financeira foi financiada com recursos originados do próprio banco.
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Conforme reportado pelo jornal paraguaio Última Hora, a tentativa de desinvestimento nas companhias MOWI, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime ocorreu após o avanço das apurações da Procuradoria e sob pressão da Superintendência de Bancos. As empresas sob investigação possuem vínculos com a instituição e são suspeitas de se beneficiarem de concessões irregulares de crédito.
Segundo o jornal, a Promotoria detalhou que a operação simulada tentou encobrir os débitos do Grupo Hendy, Grupo M e MOWI junto ao banco digital. Dados do Banco Central do Paraguai confirmam o valor de US$ 74,4 milhões referente aos repasses que a instituição aguardava receber.
A engenharia financeira, identificada pelo MP, aponta que montantes das empresas HD Invest e Satec foram direcionados à Vinanzas. Paralelamente, outras corporações apontadas como intermediárias repassaram verbas a companhias diversas, incluindo o Grupo Vázquez, acionista majoritário do Ueno Bank. Por fim, esses valores convergiram para a Vinanzas, viabilizando a compra fictícia da carteira.
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Em manifestação oficial, o Ministério Público destacou que a manobra buscou ocultar o real cenário patrimonial da entidade financeira, já que os ativos acabaram comprados indiretamente pelo próprio banco.
Diante das suspeitas, o banco entrou em processo de dissolvição. O caso provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e do presidente do país, Santiago Peña, nesta quinta-feira.
Encerramento das atividades e impacto nos correntistas
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Paralelamente às denúncias, a autoridade monetária do país decretou o encerramento das operações e o fechamento das agências físicas da instituição.
A medida atinge diretamente os cerca de 3 milhões de clientes cadastrados na fintech, volume que representa cerca de 60% da população adulta do Paraguai.
O BC do país informou que os depósitos estão garantidos até o limite de aproximadamente US$ 38 mil (cerca de R$ 208,5 mil) por correntista. Apesar do comunicado, clientes do banco enfrentaram portas fechadas e falta de atendimento presencial nas unidades nesta terça-feira.
