Economia

Brasil dá primeiro passo para emitir títulos em Yuan na China

País quer diversificar fontes de financiamento e atrair R$ 50 bilhões em investimentos asiáticos voltados para inovação e transição ecológica

Da redação
DA REDAÇÃO

25/06/2026 • 17:43 • Atualizado em 25/06/2026 • 17:45

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, na China

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, na China

Divulgação/Gov.br

O governo brasileiro iniciou formalmente o processo para realizar sua primeira emissão de títulos públicos no mercado financeiro chinês. A operação envolve os chamados Panda Bonds — títulos emitidos na moeda local da China (o Yuan) por entidades estrangeiras.

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O movimento faz parte de uma estratégia ampla do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional para diversificar as fontes de financiamento da dívida pública, reduzir a dependência de mercados tradicionais (como o dólar) e aproximar o país de grandes investidores asiáticos.

O primeiro passo prático ocorreu nesta quinta-feira (25), quando o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou a Carta de Apresentação da República aos órgãos reguladores do mercado de capitais chinês. A concretização da oferta ainda dependerá da conclusão de trâmites legais e das condições de mercado.

A estratégia dos Panda Bonds

A entrada no mercado chinês já estava mapeada no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, que prevê a captação de recursos em moedas variadas — o Brasil, inclusive, já realizou uma emissão em euros em abril deste ano.

Além de captar recursos diretamente para o caixa do Estado, a emissão soberana serve como um balizador. Ao abrir esse caminho, o governo cria uma referência de taxa de juros e risco para que empresas privadas brasileiras também possam acessar o mercado de capitais chinês no futuro.

Foco em inovação e transição ecológica

A aproximação com o mercado asiático está fortemente atrelada à agenda de sustentabilidade do país. Durante a missão oficial, a comitiva brasileira apresentou a investidores os detalhes do Eco Invest Brasil, programa que integra o Plano de Transformação Ecológica e foca na mobilização de capital privado internacional para projetos de descarbonização e tecnologia.

O programa já movimentou mais de R$ 140 bilhões em projetos sustentáveis, sendo R$ 63 bilhões previstos via captação externa. Atualmente, o Eco Invest Brasil está direcionando esforços para o seu quinto leilão, que tem a meta de levantar R$ 50 bilhões para a criação de fundos de inovação voltados a setores altamente estratégicos.

Áreas prioritárias do Eco Invest Brasil:

Combustíveis verdes avançados e fertilizantes sustentáveis

Minerais críticos e sistemas de baterias

Química verde e biomateriais

Inteligência Artificial aplicada à indústria e descarbonização industrial

A agenda de captação e diplomacia econômica não se restringe à China. Após concluir as reuniões com bancos, fundos e órgãos reguladores chineses, a comitiva do Eco Invest Brasil seguirá para o Japão e a Coreia do Sul.

Com informações da Agência Brasil