Economia

Declaração de bens revela mais de US$ 1 bi de Trump com criptomoedas

Declaração anual de bens de 927 páginas detalha vendas de tokens da empresa da família e royalties de meme coin, além de compras milionárias de ações de gigantes da tecnologia

Da redação
DA REDAÇÃO

30/06/2026 • 23:23 • Atualizado em 30/06/2026 • 23:24

Donald Trump, presidente dos EUA

Donald Trump, presidente dos EUA

Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ter obtido mais de US$ 1 bilhão em rendimentos ligados a criptomoedas em 2025, o primeiro ano de seu segundo mandato. Os valores constam da declaração anual de bens divulgada nesta terça-feira (30) pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA.

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No documento, de 927 páginas, Trump listou mais de US$ 500 milhões em receita com a venda de tokens pela World Liberty Financial, empresa de criptomoedas cofundada por ele e pelos filhos, Eric e Donald Trump Jr. As vendas foram distribuídas em vários negócios, com as maiores cifras gerando US$ 236,2 milhões e US$ 150,6 milhões. A esse valor somam-se cerca de US$ 65 milhões com a venda de participação na holding da WLF.

A maior parcela, porém, veio de outra frente. O presidente reportou US$ 635 milhões em royalties classificados como pagamento de licenciamento sob a CIC Digital LLC, vinculados a um acordo com a chamada Celebration Coins. A cifra está associada à meme coin TRUMP, lançada na blockchain Solana poucos dias antes da posse, em janeiro de 2025.

Vale registrar uma ressalva metodológica: a única linha de venda de tokens declarada de forma explícita é a de US$ 236,25 milhões, enquanto as cifras maiores resultam da soma de diferentes entradas de carteiras de criptomoedas. Parte desses montantes é descrita como receita bruta "de vendas de tokens distribuídas pela World Liberty Financial", o que não corresponde necessariamente ao ganho líquido do presidente.

O documento também trouxe outros recebimentos, como US$ 200 mil por uma participação como palestrante no evento WHIP Fundraising, em Naples (Flórida), em 2022. Entre as empresas que pagaram dividendos ao presidente aparece a Pilgrim's Pride, controlada pela brasileira JBS, com rendimento declarado na faixa de US$ 201 a US$ 1.000.

A declaração ainda registra uma série de compras de ações feitas por Trump em 2025, incluindo papéis de Apple, Tesla, Alphabet, Broadcom, Nvidia e Amazon. Uma das maiores rodadas de aquisições ocorreu em 18 de agosto de 2025, com três compras sucessivas de gigantes de tecnologia — Apple, Microsoft e Nvidia —, cada uma avaliada entre US$ 5 milhões e US$ 25 milhões.

A compra de ações da Nvidia veio uma semana depois de Trump anunciar que a empresa e a AMD haviam concordado em repassar ao governo americano 15% das vendas de chips H20 à China em troca de aval para exportação.

Os negócios cripto da família ganharam fôlego desde a volta ao poder. Ainda em maio de 2025, a Trump Media anunciou um investimento de US$ 2,5 bilhões para criar uma reserva em bitcoin, em acordo com cerca de 50 investidores institucionais.

A divulgação alimenta o debate sobre conflito de interesses. As participações pessoais de Trump no setor coincidem com a agenda de seu governo, que se declara aliado da indústria de ativos digitais e se movimentou para definir uma política federal de reservas e regulação para o setor que a própria administração supervisiona.

Desde a posse, o presidente vinha sinalizando essa direção: durante a campanha, prometeu transformar os EUA em um centro global de criptoativos e criar uma reserva estratégica de bitcoin. Dados independentes de blockchain indicam que a maioria dos investidores que compraram a meme coin TRUMP acumula prejuízo, com cerca de 80% do total de tokens ainda em poder de entidades ligadas a Trump sob um cronograma de liberação gradual.

Com Estadão Conteúdo

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