Economia

Energia elétrica puxa índice de inflação para baixo em agosto

Redução na conta de luz puxou recuo do IPCA-15, mas alta dos serviços e do leite mantém pressão sobre o orçamento das famílias, avalia André Braz

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26/08/2026 12:10 • Atualizado há 60 dias

Energia elétrica puxa índice de inflação para baixo em agosto

A prévia da inflação oficial no Brasil recuou em agosto puxada pela redução temporária na tarifa de energia elétrica, mas o alívio não indica uma tendência definitiva de queda nos preços. A avaliação é do economista André Braz, especialista em inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), em análise sobre os dados do IPCA-15.

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O recuo expressivo no indicador durante o mês ocorreu principalmente por causa do desconto pontual aplicado nas contas de luz. Como a energia elétrica tem peso relevante no orçamento doméstico, o reajuste para baixo impactou diretamente o resultado geral do índice.

Segundo Braz, esse alívio no bolso do consumidor terá curta duração. Com o término do benefício tarifário, os valores retornam ao patamar habitual no mês seguinte, gerando pressão inflacionária imediata. "A conta de energia não vai ter uma mudança significativa até o final do mês, mas para setembro ela volta ao seu patamar anterior. Vai haver um aumento proporcional a essa queda no mês que vem, o que já deve acelerar a inflação", afirma o economista.

Alimentos em queda e o peso dos serviços

No segmento de alimentação, o índice trouxe notícias favoráveis com a retração nos valores de itens in natura — alimentos comercializados em seu estado natural —, com destaque para produtos como batata, cenoura e cebola. Grupos como transportes também registraram retração no período.

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Por outro lado, produtos fundamentais da cesta básica ainda registram custos elevados. É o caso do leite, que segue pressionado no campo por fatores de sazonalidade e pelo ciclo produtivo pecuário.

Além do leite, o setor de serviços segue como um dos maiores entraves para a desaceleração contínua dos índices de preços. As atividades consumidas no dia a dia acumulam alta média próxima de 6% no acumulado de 12 meses. Para o economista da FGV, essa persistência gera incerteza sobre a trajetória futura dos preços. O segmento de serviços tem peso expressivo no custo de vida e sustenta um cenário de cautela no mercado financeiro.

Juros elevados e volatilidade climática

O cenário econômico ainda enfrenta fatores externos e climáticos que geram instabilidade, como a oscilação nas cotações do barril de petróleo e os efeitos de fenômenos como o El Niño sobre as lavouras. Essas variações dinâmicas afetam diretamente o planejamento do agronegócio e a formação de preços dos alimentos.

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Diante das pressões que mantêm a inflação projetada em torno de 5% ao ano — acima do centro da meta —, a taxa básica de juros (Selic) permanece fixada em 14% ao ano pelo Banco Central. A estratégia visa conter a demanda no presente e estimular a poupança para aproximar a inflação da meta oficial.

Apesar da deflação pontual de agosto, a alimentação continua como um grande desafio para as famílias de menor renda. O encarecimento acumulado dos alimentos desde 2020 superou os reajustes salariais, comprometendo grande parte dos recursos domésticos e retardando uma recuperação real do poder de compra da população.

Energia elétrica puxa índice de inflação para baixo em agosto