Economia

Comida cara faz até executivos da Faria Lima aderirem à marmita

Dados da Sala Digital mostram que as buscas por marmitas nunca foram tão altas no Google; entenda

Da redação
DA REDAÇÃO

19/06/2026 • 17:46 • Atualizado em 19/06/2026 • 17:47

Buscas por marmitas estão em patamar recorde no Google no Brasil

Buscas por marmitas estão em patamar recorde no Google no Brasil

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A fila do micro-ondas para esquentar a marmita nunca esteve tão grande. O tradicional recurso dos brasileiros para economizar no almoço agora também ganhou espaço na Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo.

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O motivo por trás desse comportamento está no bolso. Nos 12 meses encerrados em maio, os preços da alimentação fora do domicílio avançaram 6,2%, acima da inflação oficial acumulada no período, que foi de 4,72%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pressão inflacionária tem levado trabalhadores de diferentes faixas de renda a trocar restaurantes pela comida preparada em casa. Uma pesquisa da consultoria Galunion apontou que 61% dos entrevistados da classe A passaram a levar marmitas com mais frequência para o trabalho nos 12 meses entre abril de 2025 e abril de 2026. O percentual é semelhante ao observado entre os trabalhadores mais jovens.

E o interesse pelas marmitas também aparece na internet. Dados da Sala Digital mostram que as buscas pelo termo atingiram o maior patamar da série histórica no Google. Nos últimos cinco anos, o interesse por "marmita" cresceu 56,4% em comparação com os cinco anos anteriores.

As pesquisas também revelam um consumidor mais interessado em planejar a própria alimentação. Entre os termos em ascensão nos últimos três meses aparecem "ideias de marmita para semana", "marmita congelada" e "marmita fitness". Já entre os recipientes mais procurados estão "marmita descartável", "kit marmita de vidro", "marmita de alumínio" e até "marmita com cadeado".

O que explica a alta dos preços?

Mesmo em um cenário de desemprego próximo das mínimas históricas e crescimento econômico acima das expectativas, a inflação dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias.

Segundo especialistas, os preços seguem impactados pelo aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes, influenciados por conflitos no Oriente Médio e pelas oscilações do mercado global de commodities.

Ao mesmo tempo, os restaurantes enfrentam dificuldades para repassar integralmente esses aumentos aos consumidores. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 58% dos estabelecimentos reajustaram seus preços em linha ou abaixo da inflação ao longo do último ano, mesmo diante da alta dos custos operacionais.

A marmita veio para ficar?

Especialistas também monitoram a possível intensificação do El Niño — fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e capaz de alterar os padrões climáticos em diversas regiões do planeta — , que pode trazer novos desafios para a produção agrícola e para os preços dos alimentos nos próximos meses.

Se isso acontecer, a marmita pode continuar ganhando espaço nas geladeiras dos escritórios e nas buscas dos brasileiros no Google.

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