
Buscas por marmitas estão em patamar recorde no Google no Brasil
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A fila do micro-ondas para esquentar a marmita nunca esteve tão grande. O tradicional recurso dos brasileiros para economizar no almoço agora também ganhou espaço na Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo.
O motivo por trás desse comportamento está no bolso. Nos 12 meses encerrados em maio, os preços da alimentação fora do domicílio avançaram 6,2%, acima da inflação oficial acumulada no período, que foi de 4,72%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pressão inflacionária tem levado trabalhadores de diferentes faixas de renda a trocar restaurantes pela comida preparada em casa. Uma pesquisa da consultoria Galunion apontou que 61% dos entrevistados da classe A passaram a levar marmitas com mais frequência para o trabalho nos 12 meses entre abril de 2025 e abril de 2026. O percentual é semelhante ao observado entre os trabalhadores mais jovens.

E o interesse pelas marmitas também aparece na internet. Dados da Sala Digital mostram que as buscas pelo termo atingiram o maior patamar da série histórica no Google. Nos últimos cinco anos, o interesse por "marmita" cresceu 56,4% em comparação com os cinco anos anteriores.
As pesquisas também revelam um consumidor mais interessado em planejar a própria alimentação. Entre os termos em ascensão nos últimos três meses aparecem "ideias de marmita para semana", "marmita congelada" e "marmita fitness". Já entre os recipientes mais procurados estão "marmita descartável", "kit marmita de vidro", "marmita de alumínio" e até "marmita com cadeado".
O que explica a alta dos preços?
Mesmo em um cenário de desemprego próximo das mínimas históricas e crescimento econômico acima das expectativas, a inflação dos alimentos continua pressionando o orçamento das famílias.
Segundo especialistas, os preços seguem impactados pelo aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes, influenciados por conflitos no Oriente Médio e pelas oscilações do mercado global de commodities.
Ao mesmo tempo, os restaurantes enfrentam dificuldades para repassar integralmente esses aumentos aos consumidores. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 58% dos estabelecimentos reajustaram seus preços em linha ou abaixo da inflação ao longo do último ano, mesmo diante da alta dos custos operacionais.
A marmita veio para ficar?
Especialistas também monitoram a possível intensificação do El Niño — fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e capaz de alterar os padrões climáticos em diversas regiões do planeta — , que pode trazer novos desafios para a produção agrícola e para os preços dos alimentos nos próximos meses.
Se isso acontecer, a marmita pode continuar ganhando espaço nas geladeiras dos escritórios e nas buscas dos brasileiros no Google.
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