Economia

Preço do petróleo hoje: Brent sobe com tensão no Oriente Médio

Bloqueio naval em Ormuz interrompe fluxo de 100 milhões de barris por semana e joga cotação do Brent para patamar de US$ 107

Da redação
DA REDAÇÃO

13/05/2026 • 07:41 • Atualizado em 13/05/2026 • 07:41

Petróleo opera com votalidade

Petróleo opera com votalidade

Dado Ruvic/Reuters

O mercado global de energia opera em estado de alerta máximo nesta quarta-feira (13) devido ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo apresenta forte volatilidade e tendência de alta, impulsionado pelo bloqueio naval parcial no Estreito de Ormuz, consequência do conflito entre Estados Unidos e Irã. A interrupção atinge o fluxo de aproximadamente 100 milhões de barris de petróleo por semana, gerando um prêmio de risco elevado nas cotações internacionais.

Compartilhar

A situação diplomática se deteriorou após o presidente americano, Donald Trump, rejeitar propostas de paz vindas de Teerã. Segundo a análise do cenário internacional, o cessar-fogo é considerado em estado crítico, o que levanta temores sobre uma escalada militar na região.

Em Washington, autoridades discutem a viabilidade de utilizar forças militares para escoltar navios comerciais através do estreito para garantir o abastecimento global.

Impactos nas cotações e o fator China

Os reflexos da crise são imediatos nos principais índices de referência. O petróleo tipo Brent é negociado entre US$ 105 e US$ 107 o barril. Especialistas indicam que, caso o impasse logístico e militar em Ormuz não seja resolvido, a commodity pode atingir o patamar de US$ 112 nos próximos meses.

Já o petróleo WTI é cotado acima de US$ 100, influenciado também por dados de inflação nos Estados Unidos que superaram as expectativas de mercado em abril.

Neste contexto, o foco dos investidores se volta para a reunião bilateral entre Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, prevista para esta semana. Embora a China tenha interesse direto na estabilização dos preços e na desobstrução das rotas marítimas, o governo dos Estados Unidos sinaliza que as disputas comerciais entre as duas potências terão prioridade sobre a crise energética nas conversas.

Consequências para a Petrobras e inflação no Brasil

No Brasil, o cenário de preços elevados no exterior pressiona a Petrobras e a economia doméstica. A estatal reportou lucros pressionados no primeiro trimestre de 2026 e o mercado financeiro projeta um reajuste nos preços da gasolina e do diesel para reduzir a defasagem em relação ao mercado internacional.

A alta do petróleo é um componente central da pressão inflacionária no país. O setor de combustíveis foi responsável por cerca de 60% da inflação brasileira nos primeiros três meses do ano. A persistência desse cenário gera incertezas sobre a condução da política monetária e a manutenção da taxa Selic em níveis elevados para conter a escalada de preços.

De acordo com alerta emitido pela Saudi Aramco, a normalização da oferta global pode não ocorrer antes de 2027 se as interrupções no Golfo Pérsico persistirem.

Tópicos relacionados