
Rede chilena poderá assumir lojas do segmento premium do varejo em São Paulo
Tânia Rego/Agência Brasil
A Cencosud fechou um acordo definitivo para a aquisição de 100% da rede de supermercados St Marche. O negócio, que vinha sendo negociado desde o quarto trimestre de 2025, está condicionado à homologação do pedido de recuperação judicial da varejista, protocolado na madrugada desta quarta-feira. O valor da transação não foi divulgado.
Com a operação, a rede chilena — que já opera no Brasil com marcas como Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas — consolida sua presença no segmento de varejo de alimentos premium no Estado de São Paulo, atendendo especificamente os consumidores das classes A e B.
Continuidade e transição
Bernardo Ouro Preto, cofundador e CEO do St Marche há 24 anos, afirmou em entrevista ao Broadcast que a venda é estratégica para a longevidade da rede. "A aquisição vai garantir que o St Marche continue existindo e crescendo junto a uma empresa que é uma dos maiores players globais do varejo", pontuou.
O executivo permanecerá no comando da operação pelo menos até o fim do processo de recuperação judicial, estimado em cerca de nove meses. Para assegurar que o dia a dia das lojas, colaboradores e clientes não seja interrompido, serão aportados R$ 25 milhões em capital adicional nos próximos dias.
A conclusão do negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que dará início à análise da operação.
O cenário da recuperação judicial
O pedido de recuperação judicial surge apenas oito meses após a conclusão de uma recuperação extrajudicial da rede, encerrada em outubro de 2025. Segundo Ouro Preto, a medida extrema foi tomada após incertezas provocadas por um dos credores da companhia, que solicitou a extinção da recuperação anterior, agravando a pressão sobre o fluxo de caixa e atrasando a finalização da venda para a Cencosud.
O setor varejista foi duramente impactado pela alta dos juros no Brasil nos últimos anos. No caso do St Marche, a rede buscou um plano de expansão agressivo após a pandemia, saltando de 21 lojas em 2021 para 32 em 2024. Contudo, a escalada da Taxa Selic de patamares mínimos para 15% inviabilizou o modelo financeiro.
"Um nível de 15% de juros é inviável", reforçou o CEO. A deterioração do cenário econômico levou a rede a atrasar pagamentos de fornecedores e enfrentar desabastecimento em diversas unidades antes da busca pela solução definitiva junto à Cencosud, grupo que, em 2025, registrou US$ 17,4 bilhões em vendas globais operando mais de 1.440 lojas em seis países.

