Óculos Meta pode reduzir em até 80% o custo de pós-obra das construtoras
ConstruCode aposta em gadgets para atacar 7 vilões da falta de qualidade nas obras

Uma conta pouco visível para quem compra um apartamento, pode consumir milhões de reais das construtoras depois que a obra termina. O pós-obra, período em que entram chamados de assistência, correções e reparos nas unidades entregues, representa em média cerca de 5% do valor de construção de um empreendimento.
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É nesse custo que a ConstruCode, construtech presente em seis das dez maiores construtoras do país, está avançando com o uso de evidências capturadas automaticamente por meio do uso dos Óculos Meta integrado ao seu módulo de vistorias guiadas, o Vistora. A empresa desenvolveu um modelo de inspeção que combina dados acumulados de centenas de milhares de ocorrências em obras com óculos inteligentes para padronizar a inspeção dos imóveis antes da entrega das chaves aos moradores. Nos primeiros resultados reais apresentados pela companhia, a redução dos custos relacionados ao pós-obra ficou entre 40% e 60%, chegando a 80% em alguns casos.
Batizada de VISION, a tecnologia transforma uma atividade ainda bastante dependente da experiência individual do vistoriador em um processo totalmente guiado por dados. Durante a inspeção, os óculos conduzem por áudio o profissional pelo imóvel e à cada ponto de verificação, as patologias mais recorrentes do item vistoriado tem sua ocorrência questionada, possibilitando assim um olhar padronizado sobre as falhas e os seus registros fotográficos para a geração de relatórios automáticos. Em paralelo, os óculos captam as evidências em vídeo de tudo que efetivamente foi verificado durante todo o percurso do profissional e as anexa ao registro na plataforma.
A aposta está em um problema recorrente da construção civil: a escassez de capacitação profissional faz com que duas pessoas possam vistoriar o mesmo apartamento e chegar a diagnósticos completamente diferentes.
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Em uma demonstração realizada pela empresa, um mesmo imóvel foi inspecionado por dois profissionais. O primeiro percorreu apenas 18% da unidade em cerca de 4 minutos e identificou duas não conformidades. O segundo levou 34 minutos, percorreu o roteiro completo e encontrou 14 problemas.
“Uma mesma parede, com o mesmo problema, pode ser interpretada por pessoas diferentes de formas diferentes. O que para um é infiltração, outro marca como manchas na pintura e um terceiro registra como problema de acabamento. Assim não se descobre à causa raiz e, sem ela, não há aprendizado”, afirma Diego Mendes, CEO da ConstruCode.
Mais de 420 mil falhas ajudam a ensinar o sistema
A inteligência por trás da solução começou antes dos óculos.
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Desde 2023 a ConstruCode iniciou o mapeamento de patologias através da VISTORA - módulo que integra seu ecossistema de soluções para a construção civil. Durante este período foram analisados dados de mais de 300 construtoras do próprio portfólio da empresa. Esses dados apontaram cerca de 420 mil anomalias registradas em sua plataforma, distribuídas em 77 categorias e mais de mil tipos de ocorrência. O levantamento mostrou uma concentração importante: apenas sete categorias respondem por 84% das falhas encontradas nas vistorias.
Pintura, esquadrias de madeira e alumínio, além dos revestimentos representam 62% das ocorrências. Os dados também revelaram uma limitação dos checklists convencionais: 21,4% dos problemas identificados em campo não estavam previstos nos itens de inspeção. Em gás, essa proporção chega a 47%; em hidráulica, a 42%.
“Ou seja, no modelo tradicional de inspeção, metade dos problemas reais ainda não são nem categorizados”, explica Mendes.
Óculos substituem celular durante a vistoria
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Saem os celulares e tablets; entram em cena os óculos inteligentes. A interface ideal para um protocolo de vistoria baseada em estatísticas históricas de falhas! E os dados são surpreendentes: 60% dos problemas sempre estiveram nas paredes, concentradas em menos de 5 categorias.
Na prática, o vistoriador inicia o processo lendo um QR Code na porta do apartamento. A partir daí, os óculos identificam o roteiro daquele ambiente e orientam, por áudio, quais itens precisam ser verificados.
Quando encontra um dos problemas narrados por voz, o profissional o confirma pela haste dos óculos. O sistema registra a ocorrência, captura a imagem e associa o problema ao item correspondente. As informações alimentam em tempo real o painel de qualidade da obra e os relatórios já saem prontos ao fim da vistoria.
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O celular permanece no bolso e funciona como apoio à transmissão das informações, deixando as mãos livres para que o profissional faça medições e testes. Como não há uso contínuo de telas, não existe a preocupação com as baterias dos celulares ou tablets visto que os óculos garantem autonomia de quase 10 horas em vistoria contínua.
A gravação também cria uma espécie de histórico visual da entrega. Em vez de a construtora manter apenas o termo de vistoria assinado, ela passa a contar com imagens, em fotos e vídeos, de todo o percurso feito na vistoria.
“Agora o termo de inspeção não vai mais sozinho. Ele vai acompanhado de um book visual, em fotos e vídeos, que registra tudo o que foi analisado e comprova que o vistoriador percorreu todo o roteiro e realizou os testes de comissionamento. O construtor consegue auditar a qualidade do imóvel remotamente, sem a necessidade de uma nova visita no local”, diz Mendes.
Construção civil busca produtividade fora do canteiro
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A iniciativa também aponta para uma mudança mais ampla no uso de tecnologia como aliada na reputação das construtoras. “Não basta apenas entregar a obra. É preciso garantir que a percepção da qualidade alcance o morador que passou anos esperando para realizar o sonho da casa própria”, destaca Mendes.
A ConstruCode agregou os óculos ao seu leque de soluções depois de testar diferentes tecnologias. A companhia chegou a experimentar humanoides e robôs quadrúpedes em campo, mas concluiu que a usabilidade ideal tem que olhar para o contexto das obras reais. Os óculos equacionam todas as barreiras encontradas nos outros modelos. A solução surgiu dentro do programa interno de inovação da empresa - o ConstruCode Labs - que opera financiando e coordenando ciclos curtos de desenvolvimento de produtos inovadores.
Atualmente, os testes se concentram em levar a mesma metodologia para as Fichas de Verificação de Serviço, garantindo uma melhor efetividade durante as obras para reduzir a quantidade de problemas encontrados nas vistorias de entrega, ou seja, agir de forma preventiva e não corretiva.
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“O VISION gera métricas de previsibilidade riquíssimas, levando a atenção do profissional aos pontos de concentração histórica de problemas. O objetivo é um protocolo de evolução constante inédito na construção civil que tangibiliza o valor de uma gestão da qualidade baseada em dados”, conclui.
