Por que não dá para salário mínimo crescer tanto? Especialista explica
Economista Samuel Pessôa é o convidado do programa Canal Livre que vai ao ar neste domingo (6), na Band e na BandNews TV

Diante do enorme desequilíbrio fiscal que o governo brasileiro tem enfrentado, com a dívida bruta chegando a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, o economista Samuel Pessôa afirma que as medidas necessárias para alcançar um equilíbrio das contas seriam impopulares e acende um sinal de alerta para a atual política de reajuste do salário mínimo.
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Por que não dá para o salário mínimo aumentar muito? É uma conta simples... O número de beneficiados [da Previdência e assistência] cresce em função da demografia de uns 30 anos atrás, que é uns 2,5% ao ano. Se eu quiser que o salário mínimo cresça a 2,5, esses gastos vão crescer a 5, que é 2,5 com 2,5. O PIB cresce a 2. Pronto! Já temos a inflação aí. --Samuel Pessôa
O economista, que é o convidado do Canal Livre deste domingo (6), foi questionado, no programa, se ainda haveria margem para algum ganho real no salário mínimo e limitou categoricamente o teto sustentável para as contas do país: "Meio [por cento] pode".
Descompasso fiscal recente e o "déficit de conteúdo"
A advertência de Samuel Pessôa surge em um momento em que as contas federais enfrentam forte pressão. De acordo com os dados apresentados pelo economista sobre o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o PIB real registrou um crescimento acumulado de 11%, os gastos primários federais saltaram 21%.
O jornalista Fernando Mitre provocou o debate apontando o que chamou de um grave "déficit de conteúdo das campanhas eleitorais" no Brasil. Mitre criticou a postura dos candidatos que, embora prometam resolver o desafio fiscal, esquivam-se de detalhar as propostas práticas para alcançar o equilíbrio das contas.
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Apesar de reconhecer a gravidade da situação, Pessôa manteve um otimismo histórico e pragmático, observando que o Brasil costuma reagir em momentos críticos: "Quando fica feio demais, a coisa vai".
Mudança estrutural e a queda antecipada dos juros
Pessôa argumentou que o patamar das taxas de juros no país é definido pelo equilíbrio de oferta e procura na economia. Assim, se o Congresso Nacional aprovar e respeitar regras que garantam, a longo prazo, que a taxa de crescimento das despesas primárias seja igual ou inferior ao crescimento do PIB, a pressão do Estado sobre a base produtiva será reduzida.
Segundo a análise do economista, essa mudança estrutural na dinâmica do gasto social é suficiente para acalmar o mercado e trazer os juros para baixo de forma imediata. "Eu não preciso ter aquele superávit de 2% que estabiliza a dívida para que os juros caiam. Os juros caem antes", concluiu Pessôa.
